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As direitas a que Portugal tem direito /premium

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16.02.2019

Em centenas de crónicas, milhares de conversas e milhões de pensamentos (é verdade, penso imenso), julgo que nunca por uma vez me afirmei de direita. Sobretudo porque não sei bem o que a direita é. Definir a esquerda é fácil: vai da moderada, que saqueia os cidadãos para financiar clientelas, destrói quem resistir ao saque e no médio prazo arrasa a economia, à radical, que saqueia os cidadãos para financiar clientelas, destrói quem discordar do saque e no curto prazo arrasa a economia. Para compor o ramalhete, a esquerda acrescenta umas palavras meiguinhas, simpáticas e falsas como Judas.

A direita é uma confusão. Há a direita que se confunde com a esquerda moderada. Há a direita que se confunde com a esquerda radical. Há a direita que combate ambas pelos melhores motivos. Há a direita que combate ambas por motivos duvidosos. Há a direita que só é direita porque se diz direita. Há a direita que só é direita porque a dizem direita. Há a direita que teima não ser direita. Há a direita liberal-conservadora. Há a direita conservadora que não é liberal. Há a direita liberal que não é conservadora. Há direita nacionalista. Há a direita “europeísta”. Há a direita “mundialista”. Há a direita autoritária. Há a direita moderna. Há, em suma, balbúrdia bastante para que unicamente os esquizofrénicos se sintam, assim sem mais, de direita.

A situação é global. Em Portugal, é fatalmente pior. O problema começou quando, durante as primeiras quatro décadas de democracia, a direita esteve representada por dois singelos partidos, nenhum, por acaso, assumidamente de direita. Isso não impedia – de facto obrigava – que recolhessem os votos........

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