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A união faz a força bruta /premium

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06.10.2018

É possível que deixar de fumar, de beber e de investir as poupanças na roleta implique benefícios a longo prazo. Deixar de ver televisão traz benefícios imediatos. O mais recente é ser poupado à catrefada de programas dedicados à violação alegadamente cometida pelo futebolista Cristiano Ronaldo em Las Vegas. Os ecos que me chegam (e sobram) pelo Facebook dão-me conta de mesas redondas cercadas de especialistas especializados em proferir atoardas. É daqueles casos em que imaginamos exactamente o que estamos a perder: lixo.

Por regra, este alvoroço em redor dos abusos sexuais costuma confrontar duas escolas de pensamento. A escola “machista” acha todas as acusações infundadas e obra de galdérias interessadas em dinheiro e/ou fama. A “feminista” considera todas as acusações verdadeiras e todos os actos perpetrados a coberto de um “sistema” patriarcal e opressor. A escola “machista” desvaloriza a autonomia e o arbítrio das mulheres. Por diferentes caminhos, a “feminista” também. A escola “machista”, informal e tosca, é irredutível nas suas convicções. A “feminista”, organizada e metódica, tem dias.

Se, por exemplo, uma das medalhadas em sofrimento pelo #MeToo é suspeita de marotices sobre um rapaz adolescente, boa parte do........

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