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A longa noite marxista /premium

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19.07.2020

Há dias, o “Público” informava com entusiasmo: “Governo chama universidades para vigiar discurso de ódio”. Isto é tão bizarro que é difícil decidir por onde começar, embora não custe imaginar como acabará. E quem diz bizarro diz errado. E equívoco. E repugnante. E assustador. E os adjectivos que pudermos inventariar até nos cortarem o pio.

Em primeiro lugar, a ideia não caiu do céu. Caiu da boca de uma ministra qualquer, que pouco antes havia anunciado a intenção de vistoriar as “redes sociais” para colher informações acerca dos cidadãos que, aqui e ali, emitem palpites dissonantes da cartilha em curso. Dado que, ao contrário do que seria saudável em lugares civilizados, a intenção não levou às ruas multidões furiosas, a exigirem a demissão da ministra ou a imersão da mesma em alcatrão e penas, o governo percebeu que podia avançar sem chatices na prossecução deste desígnio espiritual.

Em segundo lugar, o “discurso de ódio” não é mais do que as opiniões de que certos indivíduos intolerantes discordam, ou, no caso, de que um poder intolerante discorda. Os indivíduos intolerantes, serviçais do poder intolerante, discordam disto. Para eles, o ódio é identificável (desde que por eles) e objectivo (segundo os critérios deles). Por isso, informam com uma cara-de-pau digna de registo, a censura da liberdade de expressão........

© Observador


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