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A década que não ousa dizer o seu nome /premium

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28.12.2019

Dantes era fácil. Houve os loucos anos 20, os doidos anos 40, os chalupas anos 60, etc. Como é que chama à década que termina (sei que, na ausência do ano zero, a década só termina daqui a um ano, mas ponham as mariquices de lado por um instante e deixem-me continuar a crónica) agora? Não faço ideia. A década de 10 provoca confusões com a do século passado. Aliás, o conceito de década, assim toda arrumadinha e autónoma, parece ter nascido e se esgotado no século passado. Em pleno séc. XXI, como dizem os pasmados na televisão, os anos sucedem-se sem grande atenção a esses pormenores. Ainda assim, estão a completar-se 10 anos desde o início de 2010 e é de bom tom encher chouriços, e textos, com “resenhas” (ai) do período em causa. Eis, pois, a minha “resenha” das tendências destes anos 10, na perspectiva portuguesa que, por inclemência do Senhor e dos meus pais, é a que me calhou.

Aquecimento global. Depois as alterações climáticas. Num ápice, a emergência climática. Qualquer dia termos o holocausto meteorológico. Os sucessivos disfemismos pretendem convencer o mundo de que o mundo acabou anteontem. A solução passa por eliminar cada vestígio de progresso excepto o progresso necessário para os activistas defenderem a eliminação de cada vestígio de progresso. Não admira que o símbolo do movimento seja uma criança iletrada e doente. Por cá, não há um partido – nem um – que não tenha adoptado a........

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