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A criatura de muitos pântanos

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26.09.2026

Na passada quarta-feira, às cinco em ponto da tarde, o primeiro-ministro Luís Montenegro publicou isto na sua conta oficial do X: “António Guterres foi sempre uma voz forte e determinada na defesa da paz, do direito internacional e do multilateralismo. Ao longo dos últimos dez anos foi também um defensor constante da dignidade humana. A ONU e Portugal estão-lhe gratos pelo sua afirmação como referência moral da humanidade. Convergimos na defesa de uma solução diplomática para os conflitos com que o mundo hoje se confronta. (…) Portugal continuará a ser um apoiante constante e indefectível das Nações Unidas e do multilateralismo. Em 2027 e 2028 levaremos a nossa vocação de diálogo e construção de pontes para o Conselho de Segurança.”

Confrontada com o texto, uma amiga perguntou: “Isto é a gozar, não é?”. Em princípio, tinha meia razão. A menos que seja um insuspeito mestre do humor negro, julgo que o dr. Montenegro escreveu semelhantes alucinações a sério, por convicção ou como retribuição forçada pelo facto de Portugal levar “a vocação de diálogo e construção de pontes para o Conselho de Segurança”. Mas, deliberadamente ou não, estava a gozar connosco.

Há inúmeras expressões para designar o eng. Guterres, a maioria com recurso a variações de um jargão que não cabe aqui. “Referência moral”, ainda por cima da humanidade, não é uma delas. Em mais do que um sentido, toda a vida pública desse “defensor da paz” é precisamente........

© Observador