Proibir a IA nas universidades é proibir o futuro

Há manifestos que nascem do medo. Outros, da preguiça. E alguns, ainda mais perigosos, nascem da ilusão de que é possível travar a História com proibições administrativas e indignações públicas. O chamado “Manifesto contra a Inteligência Artificial”, promovido por um conjunto de docentes do ensino superior em Portugal e amplificado pela comunicação social, pede a proibição da utilização de IA nas universidades, invocando, entre outras coisas, que os alunos estão a ser transformados em “cretinos digitais”. A expressão é forte, quase insultuosa, e serve bem à lógica do choque mediático. Mas a pergunta séria é outra: uma universidade deve reagir à inovação com censura ou com liderança?

A Inteligência Artificial não é um capricho tecnológico nem uma moda passageira. É uma revolução estrutural comparável à chegada da internet, dos motores de busca, do e-mail, do software estatístico, das bibliotecas digitais e dos smartphones. Em todas essas mudanças houve resistência, moralismo e previsões apocalípticas. E, no entanto, o mundo avançou. Não porque a tecnologia fosse “boa” por natureza, mas porque as pessoas aprenderam a usá-la, a enquadrá-la e a transformá-la em produtividade, conhecimento e valor. A IA é mais uma dessas revoluções, com uma diferença: é mais rápida, mais abrangente e mais inevitável. E é precisamente por isso que a proibição é a pior resposta possível.

Proibir a IA no ensino superior é inútil, injusto e intelectualmente incoerente. É inútil porque a IA já está no bolso dos estudantes, integrada em ferramentas do quotidiano, nos sistemas operativos, nos browsers, nas plataformas de escrita e até na pesquisa. Mesmo que uma instituição a proíba formalmente, ela continuará a ser usada — apenas passará........

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