O perigo dos advogados de inteligência artificial

A inteligência artificial prometeu democratizar o acesso ao conhecimento. Agora promete democratizar o acesso à justiça. A ideia parece generosa: se uma pessoa não tem dinheiro para contratar um advogado, pode recorrer a um chatbot para preparar uma reclamação, redigir uma peça processual ou perceber como deve defender-se em tribunal. O problema é que, no Direito, parecer convincente não é o mesmo que estar certo. E a IA é perigosamente boa a parecer convincente mesmo quando está errada.

É este o fenómeno que começa a ser descrito como “vibe lawyering”: cidadãos que se representam em tribunal com documentos, argumentos e estratégias produzidos por inteligência artificial, muitas vezes sem qualquer capacidade para verificar se aquilo que apresentam tem fundamento jurídico. A forma pode ser impecável. O vocabulário pode soar técnico. As citações podem parecer respeitáveis. Mas, por baixo da superfície, pode estar apenas uma construção estatística sem ligação segura à lei, à jurisprudência ou........

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