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A Europa que os filhos vão pagar

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16.06.2026

Durante décadas, a Europa habituou-se a olhar para si própria como um continente de equilíbrio, proteção social e progresso partilhado. A promessa era simples: cada geração viveria melhor do que a anterior. Os pais trabalhariam, construiriam património, financiariam o Estado Social e deixariam aos filhos uma sociedade mais rica, mais justa e mais segura. Essa promessa, porém, começa a ruir. E a fratura que hoje atravessa a Europa já não é apenas entre Norte e Sul, Leste e Oeste, ricos e pobres. É, cada vez mais, entre velhos e jovens.

A geração dos baby boomers europeus cresceu num contexto histórico excecional. Beneficiou do crescimento económico do pós-guerra, da expansão do ensino, do acesso relativamente facilitado à habitação, de carreiras mais estáveis, de sistemas de pensões generosos e de uma valorização patrimonial sem precedentes. Muitos compraram casa quando ainda era possível comprá-la com salários normais. Muitos reformaram-se, ou reformar-se-ão, com condições que os seus filhos dificilmente terão. Muitos acumularam riqueza imobiliária graças a mercados que agora excluem os mais novos.

O problema não está no facto de uma geração ter vivido melhor. Isso deveria ser motivo de satisfação. O problema está no facto de essa prosperidade ter sido parcialmente construída com encargos transferidos para o futuro. E o futuro chegou.

Hoje, os jovens europeus enfrentam uma combinação particularmente dura: salários que não acompanham o custo de vida, rendas elevadas, casas inacessíveis, carreiras........

© Observador