Portugal não pode continuar a fingir que cresce |
O recente artigo de António Nogueira Leite sobre a chamada Iberian growth fallacy trouxe novamente para o debate público uma questão central da teoria económica do crescimento: o que significa, afinal, crescer? E, sobretudo, o que significa convergir com as economias mais desenvolvidas? A distinção, embora conceptualmente elementar, continua a ser frequentemente ignorada no discurso político e mediático. Uma economia pode crescer em termos agregados e, ainda assim, não enriquecer. Pode aumentar o seu produto interno bruto e, ao mesmo tempo, manter-se afastada dos níveis de rendimento dos países mais prósperos. Pode até crescer acima da média europeia e, apesar disso, continuar estruturalmente atrasada.
A teoria económica do crescimento, desde os trabalhos fundadores de Robert Solow, forneceu uma estrutura conceptual robusta para compreender esta distinção. No modelo neoclássico, o produto de uma economia pode ser descrito por uma função de produção agregada, tipicamente representada como:
Onde, como tão bem sabem os estudantes de Economia, representa o produto, o capital, o trabalho e a produtividade total dos factores, isto é, o nível tecnológico e organizacional da economia. Esta formulação simples encerra uma intuição profunda: no longo prazo, o crescimento do rendimento per capita depende essencialmente da evolução de , e não apenas do aumento dos factores produtivos.
Daqui decorre a distinção clássica entre crescimento extensivo e crescimento intensivo. O crescimento extensivo assenta no aumento dos factores de produção: mais trabalhadores, mais horas de trabalho, mais capital físico. O crescimento intensivo, pelo contrário, assenta em ganhos de produtividade, em inovação, em progresso tecnológico e em capital humano. A diferença entre ambos não é apenas quantitativa, mas qualitativa. O crescimento extensivo enfrenta limites naturais. Nenhuma economia pode aumentar indefinidamente o número de trabalhadores ou o tempo de trabalho. O crescimento intensivo, pelo contrário, é potencialmente ilimitado, porque resulta de fazer melhor com os mesmos recursos.
O problema do crescimento recente das economias ibéricas, e em particular de Portugal, é que ele tem sido, em larga medida, extensivo. Os números agregados do PIB........