Prazer é pecado?

Você já se perguntou, em algum momento da sua vida, se sentir prazer é errado?

Tenho assistido a uma série brasileira que tem me atravessado de uma forma muito interessante: Dona Beja. E não é só pela história em si, mas porque ela retrata com muita fidelidade crenças que, apesar de antigas, ainda vivem dentro de nós.

A personagem é uma mulher que, por circunstâncias da vida, aprendeu a usar seus poderes femininos, sua beleza e sua sexualidade a seu favor. E, ao mesmo tempo, é julgada,condenada e diminuída por outras mulheres da própria cidade — as chamadas “beatas” —que não a consideram digna, nem respeitável.

E o mais curioso é perceber que, mesmo sendo uma história de outra época, ela expõe padrões que muitas vezes ainda carregamos até hoje.

Se você é mulher e ainda não assistiu, fica aqui minha recomendação. Mas mais do que a série, o que me marcou foi uma reflexão: nos dias atuais, conseguimos usar nossos poderes com liberdade? Conseguimos ser sensuais, nos sentir vivas, conectadas ao nosso corpo… ou ainda carregamos culpa, vergonha e medo?

Porque, na prática, o que eu vejo no consultório é que muitas mulheres ainda vivem aprisionadas dentro de si mesmas.

E isso me leva a algo importante que quero compartilhar com você. Nesta sexta-feira, o tema do programa Interessa, aqui do O TEMPO, vai tocar exatamente nesse ponto. Se você nunca assistiu, recomendo muito. Ele acontece ao vivo, às 14h, no YouTube do jornal. E eu estarei lá, junto com algumas das minhas alunas, levando esse olhar mais profundo sobre prazer, corpo e liberdade. Vai ser uma conversa necessária, daquelas que abrem portas internas.

E é sobre elas que eu quero falar.

É impossível não se emocionar ao ver mulheres de diferentes idades começando a se permitir sentir — sem culpa, sem medo, sem aquela voz interna que julga cada desejo.

Muitas chegam carregando um peso silencioso. Um peso por sentir libido, por ter fantasias, por desejar mais do que lhes foi permitido. Como se houvesse algo de errado em querer sentir prazer. Como se o corpo precisasse ser contido, controlado, educado a não desejar.

E, aos poucos, vamos percebendo que não é o corpo que está errado. É o olhar que foi ensinado sobre ele.

Mas existe um outro peso, ainda mais silencioso.

O peso de não sentir.

De não ter vontade de se conectar com o próprio corpo, com a própria potência, com a vida.

E esse peso, muitas vezes, vem carregado de crenças, medos e tabus que vão se acumulandoao longo dos anos. Camadas e mais camadas que vão endurecendo o corpo, silenciando sensações, esfriando a energia vital.

E o mais delicado é que, em muitos casos, o corpo até quer sentir.

Mas está tão protegido, tão condicionado, tão cheio de histórias antigas… que não consegue.

É como se sentir fosse perigoso.

Como se fosse errado.

Como se fosse pecado.

Como se fosse feio desejar.

E, aos poucos, o corpo vai entrando em um estado de congelamento.

E isso não tem a ver com falta de desejo em essência…tem a ver com tudo aquilo que foi colocado por cima dele.

Ao mesmo tempo, existe uma culpa muito profunda, especialmente quando o desejo aparece sem vir acompanhado de afeto. Quando a vontade não é de construir um relacionamento, mas simplesmente de viver o corpo, de experimentar o prazer, de se permitir um encontro leve,casual, sem promessas.

E isso ainda assusta.

Porque fomos ensinadas que o prazer só é permitido dentro de um vínculo. Que o desejo só é válido quando existe amor. Que a mulher que sente, que deseja, que escolhe viver a própria sexualidade com liberdade, de alguma forma precisa ser julgada.

Exatamente como Dona Beja foi.

Mas o que vejo, na prática, é algo muito diferente. Vejo mulheres redescobrindo o próprio corpo. Aprendendo a dizer sim para o que desejam — e não para o que não faz sentido. Se permitindo viver experiências com mais consciência, não por carência, não por validação,mas por escolha.

E existe uma diferença enorme nisso.

Não se trata de sair vivendo de forma impulsiva ou inconsciente. Não é sobre se perder no outro. É sobre se encontrar em si, mesmo quando se escolhe um encontro casual.

É sobre estar presente no próprio corpo. Porque quando o prazer vem com consciência, ele não esvazia. Ele nutre. E talvez a maior libertação que eu vejo nesses processos não seja apenas o prazer em si…mas o fim da culpa.

Quando a mulher entende que pode sentir sem se diminuir, desejar sem se perder, viver o corpo sem abrir mão de si mesma — algo muda profundamente.

A respiração aprofunda.

A vida volta a circular.

E aí, o prazer deixa de ser um conflito…e passa a ser um caminho de reconexão.

Por isso, no dia 09/04, às 19h, eu convido você, mulher, a viver uma experiência diferente comigo.

O Magia da Deusa é um encontro de 3 horas, leve, profundo e transformador. Um espaço seguro para falar sobre sexualidade feminina, prazer, corpo e consciência. Não se trata de um evento com nudez ou práticas de massagem tântrica, mas de um bate-papo acolhedor, com movimentações e meditações corporais que ajudam a despertar e liberar a potência que existe dentro de cada mulher.

Um convite para você se reencontrar com a sua própria energia. E se você deseja conhecer ainda mais o meu trabalho e o espaço onde tudo isso acontece, te convido a visitar:  www.espacomani.com.br

E eu deixo essa pergunta para você refletir: O prazer é pecado…ou foi assim que te ensinaram para que você se desconectasse de quem realmente é?

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