Barulho para existir

Mineiro diz “licença” até para ajudar.

Raramente entra direto no assunto. Ele prepara emocionalmente o terreno.

A despedida não tem fim. A conversa continua na porta, em seguida no portão, em seguida na garagem, em seguida no carro ligado.

Mineiro não elogia para impressionar. Quando destaca algo, é porque sentiu de verdade. Foi arrebatado.

Sua educação se realiza no volume baixo. Não vai gritar o que deseja, mas sussurrar. Cochicha como quem protege um segredo.

Gosta do silêncio para dar espaço. Quietude não é constrangimento.

Usa o café para aprofundar a cumplicidade. Coa a prosa lentamente.

Mineiro não é ressabiado, e sim prevenido. Respeita a força do tempo. Colegas desaparecem, amigos ficam. Amizade é antiguidade.

Possui uma elegância invisível: não corrige ninguém na frente dos outros.

Faz........

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