Tragédia das chuvas e ocupação urbana
Em apenas quatro horas, choveu no Barreiro, em BH, praticamente metade do acumulado em todo o mês de fevereiro, causando inundações e fechamento de ruas. Em Cataguases, foram 150 mm em apenas um dia, elevando o nível do Rio Pomba mais de 5 m. Nas tragédias da Zona da Mata, Juiz de Fora acumula quatro vezes mais pluviosidade do que a média histórica para o período. Somente na segunda-feira (23), foram 190 mm em oito horas.
O fenômeno do agravamento das chuvas não é exclusivo deste momento. As inundações no Rio Grande do Sul em 2024 já haviam sido prova cabal dessa transformação. Nas últimas três décadas, a precipitação média nas regiões Sul e Sudeste cresceu 30% e, de acordo com o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, a tendência é de igual elevação antes do fim do século.
As consequências desse desequilíbrio são dramáticas: o número de desastres climáticos provocados pelas chuvas cresceu 222,8% na última década, de acordo com estudo da Universidade Federal de São Paulo. Além do incalculável preço da perda de vidas humanas, esses eventos extremos provocaram prejuízos financeiros da ordem de R$ 45,9 bilhões somente entre 2020 e 2023, de acordo com levantamento da Fiemg.
Some-se ao aspecto natural o fato de que 5 milhões de pessoas vivem em áreas de risco geológico no país, seja de deslizamentos, seja de inundações. Muitas vezes, são pessoas sem alternativa para abandonar o perigo. Em Juiz de Fora, por exemplo, a conformação geográfica e geológica e a verticalização imobiliária tornam praticamente a cidade inteira uma área de risco (é um vale cortado por rio, cercado por paredões de 500 m a 1.000 m de altitude, com solo entre blocos rochosos e camadas sedimentares porosas, sobre o qual o número de apartamentos cresceu 56,1% em uma década).
Em resumo, as dramáticas transformações climáticas e demográficas exigem repensar as políticas públicas para ocupação do solo, as regras de edificação e as práticas de urbanização sob o risco de vermos a repetição e o agravamento de tragédias como as que acabamos de presenciar.
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