Avançar sem educação básica é utopia
Entre 2024 e 2025, o Brasil teve a maior queda de matrículas na educação básica em quase duas décadas, com a redução de 1 milhão de alunos. O recuo foi histórico, de 2,3% – de 47,08 milhões de alunos para 46,01 milhões.
Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação, e foram divulgados ontem. A pasta ressaltou que os números refletem a transição demográfica, com o nascimento de menos crianças a cada ano, e a diminuição da repetência, com mais alunos sucessivamente aprovados. Sabe-se lá a custa de quê...
Ainda assim, a situação é preocupante, já que uma variação negativa tão expressiva foi anotada somente em 2007, quando mudou a metodologia do levantamento – passou-se a computar dados a partir do CPF dos alunos. Naquele ano, a queda foi de 5,21%.
O destaque negativo ficou com o ensino médio, que viu seu número de estudantes reduzir 5,4% em apenas um ano, de 6,7 milhões de matriculados para 6,3 milhões. Especificamente nesse ciclo, quando se considera apenas a rede pública, a queda de matriculados foi de 6,3%. De 2024 a 2025, as escolas estaduais, que concentram 80% dos alunos, perderam 428 mil estudantes do ensino médio. Nas particulares, houve pequena alta nas matrículas, de 0,6%.
Os dados do Censo acendem o alerta para a educação infantil. Houve redução de 3,8% no número de alunos na pré-escola em comparação a 2024. E, pela primeira vez desde o período da pandemia, as matrículas em creches estagnaram, totalizando 4,18 milhões.
Mesmo que o levantamento mostre avanços no ensino técnico e na educação integral, nos quais as matrículas cresceram no intervalo analisado, o cenário da educação básica brasileira se mostra desfavorável. Novamente, perdem os estudantes, as famílias, o ensino público e o país como um todo. O ponto essencial para que o Brasil avance, economicamente inclusive, é a educação básica de qualidade, atrativa o suficiente para manter os alunos nas escolas e universalizada, acessível a todos. Infelizmente, seguimos na contramão.
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