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Alfabetização para a contemporaneidade

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20.02.2026

Por muitos anos, prevaleceu a ideia de que analfabetismo era não saber soletrar uma palavra. Faz algum tempo, usa-se o conceito de analfabetismo funcional para quem sabe decifrar letras, mas não compreende um texto mais complexo. A realidade atual revela outro tipo de analfabeto: aquele que sabe ler, mas não está preparado para entender e participar do mundo contemporâneo. 

O analfabetismo é uma forma de escravidão quando dificulta a compreensão e participação profissional, política e cultural no mundo. A causa determinante da estagnação e concentração da renda nacional está no analfabetismo dos conhecimentos para elevar a produtividade e a eficiência de nossa população em todos os setores da economia.

O primeiro analfabetismo a ser superado é o da proficiência escrita e falada da língua nacional. O Brasil não ingressará na contemporaneidade com 10 milhões de adultos sem saber ler nem escrever, incapazes de reconhecer a própria bandeira nacional, e com 50 milhões ou 60 milhões que conseguem ler “Ordem e Progresso”, mas não sabem escrever ou interpretar um texto longo. Ao falar, não dispõe de oratória suficiente para passar uma ideia ou submeter-se a uma entrevista de emprego. 

No mundo atual, para o conhecimento ser efetivo, é necessário formar a solidariedade entre os seres humanos e destes com a natureza. Quem não percebe a interdependência entre cada ser humano é um analfabeto social. O analfabetismo do individualismo impede a eficiência da política, barra a sustentabilidade e termina promovendo o suicídio da democracia, da justiça e do equilíbrio ecológico. 

Outro componente do analfabetismo contemporâneo é a ausência de habilidades técnicas para o exercício de um ofício profissional. Todo jovem deve concluir sua educação de base com uma profissão que lhe assegure emprego e renda, de forma que o ensino superior seja para realizar um desejo vocacional, e não para preencher o vazio deixado por ciclos básicos sem qualidade suficiente. A alfabetização plena para a contemporaneidade requer preparar cada aluno para ser capaz de usar com destreza os modernos equipamentos digitais e a inteligência artificial.

A educação de base com qualidade deve oferecer a cada brasileiro o ensinamento que lhe permita integrar-se ao mundo contemporâneo, buscar sua felicidade e contribuir para a construção de um país mais rico economicamente, mais justo e eficiente socialmente. O Brasil quase universalizou a matrícula nas primeiras séries do ensino fundamental, mas matrícula não é frequência nem aprendizado. Esse objetivo requer a implantação de um Sistema Nacional Único Público até o final da educação de base com alta qualidade para todos, independentemente da renda e do endereço.

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