Sexualidade na velhice: desejo, limites e cuidado

Durante muito tempo, aprendemos a associar sexualidade à juventude. Como se o desejo tivesse prazo de validade e uma necessidade de toque, afeto, troca e pertencimento, como se tudo isso, expirasse junto com a pele que envelhece. Mas a clínica, a convivência e a vida mostram exatamente o contrário: o desejo não desaparece com a idade, ele apenas muda de forma, de ritmo e, muitas vezes, de linguagem. Na velhice, a vontade de estar com alguém, de namorar, de se conectar emocionalmente, tende a se intensificar. E isso não é um desvio. É humano.

O idoso perde papéis sociais importantes: o trabalho, a rotina ativa, às vezes o cônjuge, a autonomia plena. Em meio a tantas perdas, o desejo surge como afirmação de vida. Namorar, flertar, falar de sexo, provocar, isso tudo é uma tentativa legítima de dizer: “eu ainda existo, eu ainda sinto, eu ainda sou........

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