Ressaca do amor
O Carnaval é como Nárnia. A gente atravessa um guarda-roupa invisível e entra num mundo onde tudo parece permitido.
Do lado de cá, a rotina. Do lado de lá, a intensidade. Ali, somos versões ampliadas de nós mesmos. Mais ousados. Mais sensuais. Mais disponíveis. Mais livres.
A fantasia não é mentira. Ela é uma parte nossa que a vida comum não autoriza todos os dias.
E então, em meio a blocos, música alta e corpos suados dançando a mesma batida, surgem encontros. Olhares que parecem destino, os beijos que parecem promessa, as conexões que parecem eternas.
Em quatro dias, a gente vive o que talvez não tenha vivido em quatro meses. A gente encontra o “amor da vida” entre um refrão e outro. Recebe carinho de quem nunca viu antes. Entrega intensidade para quem talvez nunca mais veja.
Porque no Carnaval ninguém pergunta sobre boletos. Ninguém pergunta sobre histórico emocional. Ninguém investiga maturidade afetiva.O que vale é o agora.E o agora é poderoso.
Mas toda fantasia tem prazo. Quando a porta do guarda-roupa se fecha, voltamos de Nárnia. E a nossa Nárnia… é a nossa realidade.
O celular silencia. As mensagens diminuem.
As promessas evaporam. E aí começa a ressaca do amor. Não é a dor do que foi vivido. É o choque entre o que se sentiu e o que de fato existiu.
O Carnaval não cria sentimentos. Ele revela desejos. A ressaca vem quando confundimos desejo com destino.Mas quer saber de uma coisa? Está tudo bem.Está tudo bem se a gente já fez isso. Está tudo bem se a gente já acreditou.Está tudo bem se a gente já se encantou por alguém que só existia dentro de quatro dias de folia. Porque o que importa… é viver.
O que importa é viver.
Meio-dia. Quarta-feira de cinzas. A vida continua.
E, graças a Deus, começa oficialmente o ano de 2026.
Essa coluna é uma homenagem ao nosso querido Henrique Maderite, que nos deixou no último dia 06/02/2026, pela alegria de sustentar, em todos os mineiros, essa vontade quase sagrada de viver depois do meio-dia de sexta-feira.
Porque no fim das contas, entre fantasias e realidades, o que nos move não é a ilusão.
É a coragem de sentir.
“Quem fez, fez, quem não fez, não faz mais...”
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