Quando o silêncio protege o agressor

Sempre que um caso de violência sexual contra crianças ganha visibilidade, a reação coletiva se repete. Primeiro o choque. Depois a indignação. Em seguida a disputa de versões. E, pouco tempo depois, o silêncio. Esse ciclo revela não apenas a gravidade do tema, mas a dificuldade social de compreendê-lo para além do episódio pontual.

A legislação brasileira é objetiva ao considerar menores de 14 anos juridicamente vulneráveis. Isso significa que não existe consentimento válido em relações dessa natureza. A discussão jurídica, quando ocorre, está na produção de provas e na responsabilização do adulto.

No entanto, o que chega à sociedade nem sempre traduz o que acontece no processo. Como muitos casos tramitam em segredo de justiça para proteger a vítima, cria-se a sensação de que não há desfecho ou punição, o que alimenta a percepção de impunidade e desencoraja denúncias.

Do ponto de vista da sexologia forense, é fundamental........

© O Tempo