Quando a fala pública reabre feridas: impacto emocional e acolhimento às vítimas

O Big Brother Brasil (BBB), exibido pela TV Globo, é um dos programas de maior alcance da televisão brasileira. Tudo o que é dito dentro daquela casa ultrapassa o entretenimento e ganha dimensão social, cultural e psicológica. Recentemente, uma fala da participante Solange Couto gerou forte repercussão ao associar a origem de uma pessoa à circunstância de ter sido concebida a partir de uma violência sexual. O episódio provocou indignação pública e reacendeu um debate necessário sobre responsabilidade discursiva e seus efeitos sobre vítimas reais.

Mais do que uma polêmica televisiva, estamos diante de um fenômeno que atinge diretamente pessoas que carregam histórias de violência sexual em sua trajetória. Quando uma fala dessa natureza é transmitida em rede nacional, ela pode atuar como gatilho emocional, reativando memórias traumáticas, sentimentos de vergonha, culpa e desamparo. Na sexologia do trauma, sabemos que a violência sexual não termina no ato. Ela se prolonga no silêncio social, no julgamento, na culpabilização e, principalmente, na linguagem que transforma dor em estigma.

É fundamental reafirmar: a responsabilidade é sempre do agressor. A vítima nunca é culpada. E nenhuma criança pode ser definida pela violência cometida por outra pessoa. Quando a sociedade cria hierarquias entre vidas, classificando algumas como “legítimas” e outras como marcadas por uma origem violenta, ela produz uma nova camada de violência, agora simbólica e coletiva. Isso compromete processos de elaboração psíquica, dificulta o acesso ao acolhimento e reforça o isolamento de quem mais precisa de cuidado.

Dados e estudos na área da saúde mental mostram que vítimas de violência sexual frequentemente enfrentam sentimentos de auto depreciação e medo do julgamento social. Discursos públicos que associam identidade à violência podem intensificar esses sintomas, aumentando quadros de ansiedade, depressão e retraimento social.

Por isso, o acolhimento precisa ser ativo e claro. Se você é uma pessoa que se sentiu ferida por essa fala, é importante lembrar: o que aconteceu com você não define quem você é. A violência que você sofreu não diminui sua dignidade. E a sua existência não pode ser reduzida a um trauma. Buscar apoio psicológico, conversar com pessoas de confiança e acessar redes de proteção não é sinal de fraqueza, mas de cuidado consigo mesma.

Também é papel da sociedade, da mídia e dos profissionais de saúde mental transformar episódios como esse em oportunidades de educação coletiva. Não se trata de cancelar indivíduos, mas de construir uma cultura que responsabilize o agressor, proteja a vítima e garanta que nenhuma vida seja marcada por estigmas. A linguagem tem poder. Ela pode ferir, mas também pode reparar.

Que possamos escolher palavras que acolham, que protejam e que reafirmem um princípio básico dos direitos humanos: toda vida tem valor, independentemente de sua história. Nenhuma pessoa é o crime que sofreu. Nenhuma existência nasce condenada.

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