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Parentalidade: de quem é a responsabilidade quando a criança está no meio?

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tuesday

Ter um filho não é um ato isolado. Se torna uma escolha que se prolonga todos os dias, nas ausências, nas palavras ditas no calor da emoção, nos silêncios e, principalmente, nas atitudes que moldam quem aquela criança está se tornando. Não, não basta gerar. É preciso entender a responsabilidade de ser pai e mãe.

O sustentar não é só financeiramente. É emocionalmente, é sendo presente na vida dessa criança. A parentalidade não deveria ser um campo de disputa. Mas, na prática, muitas vezes é exatamente isso que acontece. A criança vira território, vira argumento e até um instrumento de dor.

Quando dois adultos rompem, o vínculo conjugal pode até acabar, mas o vínculo parental não deveria entrar nessa mesma lógica de destruição. Quando a responsabilidade é jogada de um lado para o outro, o que essa criança aprende? Ela aprende que amor é instável, e que a qualquer momento algo pode acontecer e mudar aquele dia que ela planejou ficar com um dos dois. (Pai ou a Mãe, família de um e de outro).

O cuidado depende de humor, como se fosse um termômetro medido, por uma criança que não entende da “instabilidade emocional”, mas sabe que esse tipo de afeto pode ser retirado dela apenas por punição. Ela aprende a se adaptar ao conflito e, muitas vezes, a se culpar por ele.

Nos lares onde os pais permanecem juntos, também não há garantia de equilíbrio. Estar na mesma casa não significa exercer parentalidade com o mesmo peso, com a mesma medida de consciência. Muitas vezes, um educa e o outro desfaz, um acolhe e o outro invalida. E a criança cresce tentando entender qual versão do mundo é a verdadeira.

Já nos lares separados, o desafio ganha outro nome: coerência à distância. Porque quando a comunicação vira ataque, quando o outro genitor é desqualificado, e as histórias são distorcidas, entramos em um território delicado e perigoso: a alienação parental. E o que isso causa? Uma ruptura interna profunda na criança.

Ela não deixa de amar nenhum dos dois, ela não sabe como escolher. Então ela sofre, em silêncio ou em comportamento. Isso gera uma queda escolar, uma ansiedade, uma agressividade ou retraimento. A escola sente, o convívio social sente. Mas, acima de tudo, essa criança sente, mesmo quando não consegue nomear o que está acontecendo com ela.

A alienação não destrói apenas a imagem do outro. Ela fragmenta a identidade da criança, porque ela carrega os dois dentro de si. Agora imagina comigo. Que tipo de adulto estamos formando quando transformamos a parentalidade em disputa? Parentalidade não é sobre quem está certo ou quem está errado. É sobre quem é responsável o suficiente para não ferir quem não tem defesa. 

Filhos não pedem perfeição, eles precisam de estabilidade emocional como referência para estarem seguros. Isso exige uma maturidade desse casal, e muitas vezes para calar o ego e para preservar o vínculo, é preciso separar a dor conjugal da responsabilidade parental. Exige entender que amar um filho também é respeitar a existência do outro genitor, mesmo quando a relação acabou. É conseguir proteger aquilo que realmente importa: o desenvolvimento emocional de quem ainda está aprendendo o que é o amor. Porque, no fim, não é sobre quem ganhou a discussão.

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