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Silly…People

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21.08.2026

Há dias em que me apetece escrever muito, mas sem tema, sem rumo, sem destino. É como se desatasse a correr em direcção ao infinito, até me cansar. E depois? Bom, depois parava, descansava e dormitava. Já quanto ao escrever, o depois é muito mais difícil de antever. Às vezes dói.

Sim, escrever, por vezes, é como correr: é uma necessidade que nos apascenta o corpo, que nos dilata o horizonte e também que nos irrita, sobretudo quando não sai nada de jeito. A escrita permite perscrutar o invisível, descobrir o que há muito se guardava, inventar um destino e solucionar o impossível.

Escrevendo, tenho todo o poder do mundo, ninguém me consegue parar, nem caolhos mentais, nem disputas encomendadas. Sim, escrever pode também ser um acto dissimuladamente assertivo, recôndito na ironia, sanguinário na ponta da caneta, mas desesperadamente viscoso e repelente para quem se julga atingido.........

© O Mirante