Quem não viaja não tem ilusões

“O mundo não seria o mesmo sem o desejo de viajar”. Roubo esta frase de um livro que tenho sempre à mão que se intitula “Teoria da Viagem” e que me serve hoje de apoio para me entusiasmar a escrever mais uma crónica. Há menos de duas horas viajava na cadeira onde me sento quase todos os dias da semana, solitário, em frente ao computador, mas no meio de uma sala com muita gente onde a palavra é prata e o silêncio é ouro.Hoje viajei sentado, mas ainda sinto no corpo e no espírito o reencontro com Ítaca que me ficou da última viagem em que cruzei oceanos e mergulhei nas suas águas.Lembro-me de me preparar para a partida como o viajante que faz o exercício de se tornar nómada para cultivar a errância e a vadiagem. Não era a primeira vez que me preparava com o mesmo espírito, e certamente não será a última. Regresso sempre com a certeza que até os verdadeiros nómadas recorrem a uma espécie de sedentarismo, aprendendo a orientar-se pelas estrelas, linhas e trilhos traçados pelos animais,........

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