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Carnaval molhado é Carnaval cancelado e este ano até o Entrudo morreu afogado

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26.02.2026

Atrevido Manuel Serra d’Aire

Passou mais um Carnaval, desta vez cancelado em muitos pontos da região e do país. Fizeram bem as organizações, pois há muito telhado por cobrir e muita casa por limpar devido às cheias e não me parece justo que andem uns na reinação enquanto outros tentam reerguer-se do vendaval, das cheias e das enxurradas. Razão tiveram os de Rio Maior, que decidiram transferir para Maio o habitual corso nocturno. As temperaturas estão mais amenas em plena Primavera e a malta pode desfilar mais descapotável, digamos assim. Porque os olhos também comem. Brincar ao Carnaval de cachecol e sobretudo, é tudo menos Entrudo. Mas mesmo com um Carnaval frio e húmido, a má língua não pode parar. Ela é o sal e pimenta desta vida e há que lhe dar uso, mesmo que de vez em quando as bicadas também nos calhem. É a vida, o karma ou seja lá o que for.

Foi uma visão do fim do mundoFúria da natureza, mau olhadoOu apenas uma zanga de São PedroPara nos dar cabo do telhado?

Chamaram-lhe comboio de tempestadesVá lá saber-se porquêNão fez greve nem chegou atrasadoPorque não era da CP

Os tempos não estão para foliasEstão mais para gabardine e sobretudoMas no meio de tanta águaAlguém tem de enterrar o Entrudo

Lá para as bandas da ChamuscaAs cheias têm dado bradoE com tanta água pelos camposO pobre galo deve ter morrido afogado Andam galináceos à soltaPelas ruas da Póvoa de Santa IriaE aves raras a queixar-se Porque tudo lhes causa azia

Dizem que as galinhas estorvam o trânsitoE a muitos põem os nervos em franjaMas não há quem se chegue à frenteE mostre que a solução é canja

De fricassé, churrasco ou cabidelaCom batatas fritas, arroz ou ervilhasTriste é levarem para a InternetUm caso que é para cozinhas

As mulheres da região Já têm medo de ter filhosNão sabem onde os vão terE não querem arranjar sarilhos

Os nossos férteis casaisVivem numa constante ânsiaPois o mais certo é as grávidasTerem de parir numa ambulância

Somos um país de queixinhas e invejosos Mas finalmente vão acabar as baldasDepois de tantos políticos pirososPara nos safar veio um das Caldas

Depois da deriva pela aventuraAgarrada ao passado e sem futuroParece que a malta abriu os olhosE decidiu jogar pelo seguro

Temos vivido tempos difíceisDe desgraça, carestia e mágoaMas ainda houve quem celebrasseO São Valentim debaixo de águaO presidente da Câmara do CartaxoTem-se fartado de dar à pernaSe continua neste ritmoainda vai para a Administração Interna

Os últimos são os primeirosÉ um ditado de natureza patuscaTão velho e tão usadoComo a pobre ponte da Chamusca

Desprezada pelos poderes Mas lembrada na campanha eleitoralVai continuar a inspirar promessasAté à derrocada final

E com esta me vouPorque as mãos já não estão levesSegue daqui aquele abraço Do arrepiado Serafim das Neves


© O Mirante