A verdade pendurada na esquina
Em Fortaleza, junho não chega sozinho.
Vem com o comércio, com as mãos que assam milho, com as encomendas de bolo de macaxeira, com bandeirinhas cruzando ruas estreitas e com um Judas de pano pendurado, à espera de apanhar pelo que ninguém resolveu.
O boneco é malfeito, torto, barrigudo de serragem, braços moles e cara de culpado desde o nascimento. Foi costurado sem delicadeza e, talvez por isso, convença. O povo sempre fabricou símbolos melhores do que muita propaganda cara. Junta pano, serragem, raiva, humor e um pensamento sem cerimônia; depois põe na rua. Pronto: alguém pode apanhar por todos.
Hoje, encontro menos Judas nas esquinas do que nas redes sociais. Alguns bonecos de pano aparecem mais bem iluminados, vendendo virtude com a segurança de quem nunca se viu pendurado em praça pública. Junho, pelo menos, não se enfeita para parecer bom. Deixa o feio à mostra.
Durante muito tempo, conheci o São........
