Famalicão candidata mais sotaque minhoto à Europa |
É suposto escapar ao radar quando se voa baixinho, servindo a analogia para ser aplicada na perfeição ao Famalicão. Assumindo um outro lugar comum, pode acrescentar-se que a equipa famalicense chegou ao quinto lugar da I Liga em pezinhos de lã e, com a mesma delicadeza, está, ao cabo de 27 jornadas, a batalhar com o Braga pelo quarto lugar. Há apenas um ponto entre os rivais do Minho, ambos acossados ainda pelo Gil Vicente. Quase sem chamar a atenção, este Famalicão tornou-se protagonista no momento em que o filme do campeonato entra na fase decisiva e quando os próximos episódios prometem ser um exigente teste para a equipa treinada por Hugo Oliveira: FC Porto, no Dragão; Moreirense, em casa; e Braga, na Pedreira, só para referir as próximas três rondas.
A carreira do Famalicão desde que regressou à I Liga, em 2019/20, é o detalhe que retira o caráter de surpresa absoluta ao atual quinto posto. Afinal, na época marcada pela pandemia de Covid-19, foi sexto classificado e, desde então, foi oitavo em três ocasiões, sétimo na temporada passada e tendo, como pior resultado, um nono posto. Um conjunto de resultados tantas vezes desvalorizado pelo facto de a SAD famalicense não esconder ao que veio, assumindo todos os anos que o objetivo é alcançar a qualificação para as provas europeias. E a final da Taça de Portugal. Se tivesse preferido não ser corajoso, este projeto do Famalicão teria apenas grandes épocas para apresentar. A verdade é que é, por vezes, visto como um falhanço de um projeto que não entrega aquilo que se espera. A estabilidade de resultados desde 2020 merecia, ainda assim, palavras mais simpáticas.
A atual temporada não é diferente, daí que o risco continue elevado, conscientemente elevado para um Famalicão que, para chegar ao quinto posto, já teve de ultrapassar o surpreendente Gil Vicente, um outro projeto minhoto a dar cartas no atual quadro do futebol português. Sintomático da importância do Minho, casa de Braga, Vitória, Famalicão, Gil Vicente e Moreirense, no atual quadro do futebol português. Sintomático do trabalho do treinador Hugo Oliveira, que chegou à época passada debaixo de um manto de desconfiança. Chutou-a para canto com o sétimo posto final, desde logo. O sucesso tem, todavia, a tendência de atrair a cobiça e ainda ontem foi notícia [ler na página 32] o facto do Botafogo equacionar levar Hugo Oliveira para o lugar que foi de Martín Anselmi.