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Escolas e influenciadores

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26.03.2026

Provocou alarido a investigação do Público sobre a presença, em espaço escolar, de influenciadores tidos como pouco recomendáveis. Foram detectados 80 casos. Discutiu-se o papel dos directores, mas também do Ministério da Educação, no controlo das entradas nas escolas. Essa discussão, porém, oculta as raízes profundas que levam os alunos a convidar este tipo de agentes para as campanhas eleitorais das suas associações. Por raízes profundas não estou a referir o funesto papel das redes sociais e a perturbadora cultura dominante entre adolescentes e jovens. A pergunta que devemos fazer é a seguinte: por que razão os alunos não percebem que as escolas são lugares em que determinado tipo de acontecimentos não pode ocorrer? Há dois elementos, interligados, que ajudam a entender o estado a que se chegou.

Em Portugal, deixou de se perceber que as escolas não são a continuidade da família. Que elas só cumprirão a sua missão se representarem, para o aluno, uma ruptura entre a cultura da família e a escolar. Tem-se assistido, desde a reforma de Roberto Carneiro, a uma diluição da fronteira entre casa e escola. Isto foi fomentado pelo Ministério da Educação. As direcções escolares e os próprios professores foram sendo cúmplices. Os pais, sob a figura do encarregado de educação, foram postos dentro das escolas e trouxeram com eles a cultura em que vivem e educam os filhos. O espaço escolar foi perdendo a sua aura e aquilo que, idealmente, o distinguia dos outros espaços sociais. Tornou-se o prolongamento das famílias e das comunidades, não um lugar comprometido com uma cultura radicalmente distinta.

Perdeu-se a noção de que a instituição escolar é o lugar onde todos os alunos têm oportunidade de aceder ao que há de melhor e mais elevado na cultura humana. A democratização do ensino deveria significar que todos os alunos acedem a bens culturais, através dos currículos e das práticas lectivas, que, sem essa democratização, só estariam ao alcance de alguns. O que se passa é outra coisa. Não são os alunos que se sentem levados a procurar uma cultura mais exigente do que aquela que trazem das suas comunidades. Pelo contrário, foi a cultura escolar que se deixou contaminar pelo meio em que está inserida, mimetizando-o. A escola pública cedeu perante as pressões do exterior. Em muitos casos, a cultura da comunidade e a da escola são uma e a mesma. Num ambiente em que já não se reconhece que, para bem das novas gerações, deve existir uma diferença radical entre a escola e o meio envolvente, é natural que os alunos não compreendam por que motivo não podem trazer esse tipo de influenciadores.

Provocou alarido a investigação do Público sobre a presença, em espaço escolar, de influenciadores tidos como pouco recomendáveis. Foram detectados 80 casos. Discutiu-se o papel dos directores, mas também do Ministério da Educação, no controlo das entradas nas escolas. Essa discussão, porém, oculta as raízes profundas que levam os alunos a convidar este tipo de agentes para as campanhas eleitorais das suas associações. Por raízes profundas não estou a referir o funesto papel das redes sociais e a perturbadora cultura dominante entre adolescentes e jovens. A pergunta que devemos fazer é a seguinte: por que razão os alunos não percebem que as escolas são lugares em que determinado tipo de acontecimentos não pode ocorrer? Há dois elementos, interligados, que ajudam a entender o estado a que se chegou.

Em Portugal, deixou de se perceber que as escolas não são a continuidade da família. Que elas só cumprirão a sua missão se representarem, para o aluno, uma ruptura entre a cultura da família e a escolar. Tem-se assistido, desde a reforma de Roberto Carneiro, a uma diluição da fronteira entre casa e escola. Isto foi fomentado pelo Ministério da Educação. As direcções escolares e os próprios professores foram sendo cúmplices. Os pais, sob a figura do encarregado de educação, foram postos dentro das escolas e trouxeram com eles a cultura em que vivem e educam os filhos. O espaço escolar foi perdendo a sua aura e aquilo que, idealmente, o distinguia dos outros espaços sociais. Tornou-se o prolongamento das famílias e das comunidades, não um lugar comprometido com uma cultura radicalmente distinta.

Perdeu-se a noção de que a instituição escolar é o lugar onde todos os alunos têm oportunidade de aceder ao que há de melhor e mais elevado na cultura humana. A democratização do ensino deveria significar que todos os alunos acedem a bens culturais, através dos currículos e das práticas lectivas, que, sem essa democratização, só estariam ao alcance de alguns. O que se passa é outra coisa. Não são os alunos que se sentem levados a procurar uma cultura mais exigente do que aquela que trazem das suas comunidades. Pelo contrário, foi a cultura escolar que se deixou contaminar pelo meio em que está inserida, mimetizando-o. A escola pública cedeu perante as pressões do exterior. Em muitos casos, a cultura da comunidade e a da escola são uma e a mesma. Num ambiente em que já não se reconhece que, para bem das novas gerações, deve existir uma diferença radical entre a escola e o meio envolvente, é natural que os alunos não compreendam por que motivo não podem trazer esse tipo de influenciadores.

Provavelmente já vamos tarde, tal é o número de atentados ao património, à paisagem urbana e arquitetónica do centro histórico de Torres Novas.

Quase tudo começou com o desleixo e o abandono de centenas de imóveis que hoje ou são ruínas em perigo para quem passa ou em alguns casos são espaços vazios emparedados fruto da intervenção forçada do município. (ler mais...)

Não posso, nem quero, precisar um ponto no tempo para quando se iniciou o processo, mas decorreu algum desde que existe investimento significativo numa engenharia social destinada a politizar o maior número possível de aspectos da vida do cidadão. (ler mais...)

Com alguma atenção, mas um certo sentido de distância, tenho seguido directamente as sessões destes primeiros meses da política municipal da Câmara de Torres Novas, presidida pelo Dr. José Manuel Trincão Marques. (ler mais...)

O interesse do homem pelos movimentos e ciclos astrais é milenar. Por todo o planeta, monumentos e descobertas arqueológicas revelam esse interesse. Primariamente motivados pela passagem das estações do ano, ciclo do qual dependia o sucesso da agricultura, vital para a sobrevivência, até outras previsões, mais ligadas à superstição, embora calculadas por uma protociência baseada essencialmente no registo de acontecimentos coincidentes, por vezes justificados por vezes casuais, retiravam-se interpretações dos tempos por vir. (ler mais...)

Em todos os desastres naturais que têm afectado o território nacional, sem excepção, fazem-se diagnósticos e prometem-se novas atitudes. Isto sejam incêndios, cheias ou inundações ou ondas de calor. (ler mais...)

Lembro-me de que, num passado eleitoral para a Presidência da República, segui, na segunda volta, a proposta de Álvaro Cunhal, para se pôr a cruz no quadradinho de Mário Soares, mesmo que certa esquerda desconfiasse mais deste do que de todos os vendedores da banha da cobra. (ler mais...)

O Chanceler Alemão, Friedrich Merz, declarou que “A Europa regressou de umas férias da História”. Sublinhou que a ordem internacional, vinda com o fim da segunda guerra mundial, acabou. Voltar à História é uma péssima notícia. (ler mais...)

O resultado da primeira volta é esclarecedor. A direita neoliberal e social-democrata, dividida por três candidatos, saiu derrotada. A AD e a Iniciativa Liberal, os que mais sofreram: se Luís Marques Mendes soube assumir, com dignidade a derrota, João Cotrim Figueiredo demonstrou, de forma arrogante, a incapacidade duma perda absolutamente esperada, já que o centro-direita que a AD representa, nele, numa primeira volta, não votaria, e parte da sua base de apoio não liberal estava a ser disputada, nas redes sociais, pelo Chega. (ler mais...)

As eleições de domingo, apesar de faltar ainda uma volta, têm vencedores e derrotados claros. Vencedores:

António José Seguro. A sua vitória e votação, bem acima do expectável, tem um único protagonista: ele mesmo. (ler mais...)


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