A esquerda e as presidenciais - jorge carreira maia

Olhemos para as eleições presidenciais. Mais especificamente, para as esquerdas e os seus candidatos, para comentar a estratégia de hara-kiri em que essas esquerdas parecem ser especialistas. Suicidar-se com honra, como velhos samurais caídos em desgraça perante o seu senhor. A única candidatura de esquerda que tem algumas hipóteses de passar à segunda volta – talvez de ganhar – é a de António José Seguro. É um candidato vibrante e mobilizador de paixões populares? Não, claro que não. Tem, porém, virtudes que são adequadas a um inquilino de Belém: é sensato, comedido, tem uma imagem de honestidade, conhece bem a vida política portuguesa e europeia, assim como os desafios mundiais, é moderado – uma coisa bem necessária nestes tempos – e não tem anticorpos na sociedade portuguesa. De todos os candidatos – de esquerda e de direita – é o que daria o melhor Presidente para estes tempos.

Não sou adivinho. Escrevo este artigo no primeiro dia de campanha e, pelo que dizem, é provável que os candidatos das outras esquerdas – António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto – não desistam para Seguro. Para os partidos que os promovem, mais importante do que a democracia será erguer a bandeira partidária, talvez para chegarem ao fim da primeira volta e afirmarem que tiveram um excelente resultado de 5% ou menos. Ganham ainda um motivo para verberarem a direita e o populismo, o que lhes incendiará os espíritos e tranquilizará as consciências. Pode ser que me engane. Pior que Livre, PCP e BE, porém, é o comportamento dos socialistas. Dá a impressão de que Seguro é um inimigo e não o candidato do PS. Se há, aqui e ali, apoios institucionais, a militância eclipsou-se. A mobilização do partido........

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