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Se eu tiver 20 ovelhas e o meu vizinho nenhuma, em média, cada um de nós tem 10 ovelhas. Sem análise crítica, a estatística pode espelhar tudo e qualquer coisa, menos a realidade. Mas são necessários números para iniciar todo o processo. Sem recenseamento, não há números sequer.
Uma gata fica apta a reprodução por volta dos 8 meses de idade. Uma gata tem geralmente 3 ninhadas por ano. Cada ninhada tem geralmente 5 crias. Uma gata de rua tem uma esperança média de vida de 7 anos. Com tudo a correr dentro da média, uma única gata, gera 105 gatos ao longo da sua vida.
Considerando que as crias fêmeas ficam aptas para reprodução aos 8 meses, é fácil perceber que ao longo dos 7 anos de vida da matriarca, o crescimento da população de gatos é exponencial. Daí a importância de controlo populacional via esterilização.
Os gatos, silvestres e semissilvestres, o que vulgarmente chamamos "gato de rua", são naturalmente esquivos. Só com meses, por vezes anos, de convívio com seres humanos é que se torna possível o contacto físico. Alguns, nunca. Para os esterilizar, primeiro, tem de ser possível apanhá-los. É aqui neste ponto que os cidadãos, voluntários e associações sem fins lucrativos que cuidam das colónias de gatos de rua, já com confiança conquistada à maioria deles, se tornam fundamentais no processo. Os idiotas de opinião que não se deve alimentar, desparasitar, disponibilizar abrigos, aos gatos de rua, são autistas aos factos: se o animal não for alimentado vai revirar caixotes do lixo à procura de comida, vai caçar pequenas aves, roedores e répteis até à extinção, causando danos significativos no ecossistema. Se não for desparasitado regularmente, vai contrair e espalhar doenças. Sem contacto com seres humanos, será dificílimo capturar o animal para castração e, mesmo que o consigam, tenho pena do veterinário e auxiliar que tentar executar a cirurgia. Cuidar de colónias de gatos é a liberdade cívica a actuar onde a decência institucional se demitiu.
O governo português, de uns anos a esta parte, providencia uma verba anual às câmaras municipais destinada à castração de animais de rua. Associações e particulares podem (devem) solicitar aos serviços veterinários das respectivas câmaras municipais a castração, sem custos. Esgotada essa verba e perante a persistência do problema, a Câmara Municipal de Torres Novas atribuiu um financiamento de 7.000€ para as castrações.
Portugueses que somos, preferimos usufruir desta quase borla nos animais domésticos, poupando uns cobres na castração do bichano lá de casa no veterinário da Câmara, em vez da clínica privada. Subtraindo assim eficácia na resolução do problema dos animais errantes. Resultado: veterinários das câmaras municipais atascados em trabalho e as colónias de rua a continuar a crescer.
Quem já passou pelo processo com animais de rua, ficou a saber em detalhe como tudo funciona.
Primeiro, temos de conseguir capturar o animal. A Câmara Municipal pode providenciar armadilhas, mas, como as que possui são em número muito limitado, sugere ao........