Falemos de cultura e do que o município pode criar
Com alguma atenção, mas um certo sentido de distância, tenho seguido directamente as sessões destes primeiros meses da política municipal da Câmara de Torres Novas, presidida pelo Dr. José Manuel Trincão Marques.
Nas redes locais tem surgido, como informação municipal, um sem número de medidas, que motivam muitos links de gosto, com poucos de descontentamento. Mas, até o momento, publicidade tipo pescadinha de rabo na boca, que me não parece, em diferença, ultrapassar a face do supérfluo, embora tenha fugido à descarada e desonesta, da anterior edilidade socialista, sempre cheia de inaugurações e de fotografias dos ditos edis, que eram motivo de riso mais do que de siso, e contribuíram, na prática, pelo ricochete provocado, na subida eleitoral da AD e do Chega, com as adversidades que hoje se transformaram no seu dia a dia.
Creio que ainda não mereceu uma reflexão adequada, o problema da informação municipal, quer nas promoções das redes sociais, quer nos boletins informativos e na revista subsidiada, de má memória e mau gosto, com uma confusão de autonomia com apoios camarários e funcionários da mesma, mas de que ficou por se conhecer quanto custou, anualmente, a tentativa duma publicidade enganosa disfarçada de autonomia.
Nos tempos que se vivem, não se compreende uma informação municipal que não seja aberta, plural, incisiva, dialogante.
Se é positiva a emissão, em directo, das sessões públicas camarárias e das da Assembleia Municipal, já o mesmo se não pode dizer das diversas comissões camarárias, de que se não conhece, nem objectivos, nem a sua composição, quanto mais os projectos e deliberações.
Os actuais meios de comunicação deveriam permitir um contacto directo com o cidadão, abrir as futuras revistas municipais ao debate e à opinião pública, ter, inclusive, um conselho de redacção autónomo, onde estivessem e tivessem voz outras pessoas, que não só os técnicos municipais.
Se algo me fez, também, sempre confusão, foi o autismo do poder camarário ante a opinião pública da sua informação jornalística independente, centrada nos periódicos, Jornal Torrejano e o Riachense, já que a Rádio Local, subsidiada, se limitou a apologias do poder, com mínimas aberturas às oposições partidárias a às vozes discordantes. Compará-la com o que foi, quando havia programas diversos e plurais, na década de oitenta, é pura coincidência.
A indiferença, dos anteriores executivos de maioria socialista, para não escrever oposição, em relação ao jornalismo concelhio, não só esqueceu que, se foram autarcas, à implantação da democracia e ao fim da censura o deveram, como não cuidando duma informação plural, de denúncia do erro, dos abusos de poder, contribuíram para o regresso das extremas-direitas saudosas dos três Salazares, que no humor do cidadão riachense Joaquim Alberto, «o primeiro mandava prender os outros dois(porque) nunca há lugar para três ditadores ao mesmo tempo».
No campo cultural, educativo e associativo, a subsidiodependência foi transformando a criatividade a autonomia da imaginação e da irreverência artística numa dependência de obediência e aceitação do que defino por municipalização, já que a programação dependente dos sectores ligados àquelas áreas, congeminadas nos gabinetes, é estruturada sem a menor intervenção dos promotores ou dos cidadãos que, de forma voluntária e gratuita, têm mantido, nos sectores, efectiva colaboração.
Quando, sem a menor explicação, se transformou o prémio de poesia Maria........
