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Escrever para a História

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28.09.2021

Na trilogia que publiquei recentemente sobre o Estado Novo, apresentei versões diferentes da história ‘oficial’ sobre, entre outros, dois acontecimentos: a queda de Salazar da cadeira e a atuação de Marcello Caetano quanto às colónias africanas. No primeiro caso julgo que provei, sem margem para dúvidas, que não houve qualquer queda da cadeira; no segundo, defendi a ideia de que Marcello Caetano tentou, sem sucesso, promover em Angola e Moçambique independências brancas.

Na sequência da publicação do livro – e de referências na comunicação social a seu propósito – recebi dois testemunhos importantes que vieram corroborar o que escrevi.

O primeiro foi de Maria Teresa Burnay da Costa Pessoa, cujo pai, Henrique Owen Pinto de Barros Costa Pessoa, era amigo pessoal de António Vasconcellos Marques, o médico que operou o hematoma de Salazar. Ele era visita corrente da casa, e passava lá vários serões a conversar.

Ora, lendo n’O Diabo um artigo que contestava a minha versão sobre o acidente sofrido por Salazar, Teresa Burnay – que eu não conhecia – fez questão de me contactar dizendo que, nas conversas em sua casa, Vasconcellos Marques «nunca falou em ‘queda da cadeira’ mas sempre em ‘queda na banheira’». E adianta: «O António era um homem que gostava de viver à noite. Muitas vezes operava à noite. E quando ia a nossa casa ficava até tarde a conversar. Nós, as mais jovens, íamos andando por ali e ouvindo as conversas. Nunca se referiu à queda de uma cadeira.»

Acrescente-se que, em declarações públicas que citei no meu livro, feitas um tempo depois da operação a Salazar, o cirurgião afirmou que um hematoma com aquelas características não poderia ser provocado pela queda de uma........

© Jornal SOL


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