A segurança americana e a Europa

Para quem como eu viveu nos EUA, tem uma filha lá nascida e admirou Ronald Reagan, a leitura da Estratégia de Segurança Nacional (NSS) dos EUA foi um exercício doloroso, como um forte murro no estômago; um murro esperado (e em certa medida merecido), mas, ainda assim, doloroso. Doeu por vários motivos. Porque a NSS é um documento despido de qualquer declaração dos princípios generosos (mesmo que tantas vezes hipócritas) a que nos habituou a política externa americana, pelo menos desde a Primeira Grande Guerra. Porque é uma exposição sem subterfúgios, adoçantes ou desculpas do querer, poder e mando de uma grande potência face ao qual não podemos deixar de nos sentir frágeis. Porque não encontra espaço para uma condenação da Rússia, expondo antes uma mundivisão com a qual o Kremlin já fez saber que se identifica. Porque, finalmente, revela uma visão sombria das democracias Ocidentais e uma manifesta hostilidade à União Europeia (UE).

A NSS define com seu foco único apenas aquilo........

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