Vellichor
Entrar numa biblioteca antiga, numa loja de alfarrabista, num arquivo ou num sótão cheio de livros é uma experiência olfativa que pode deixar muitos indiferentes. Para outros, porém, vai muito além da simples identificação do cheiro de papel envelhecido e de materiais antigos, convocando memórias, imagens e afetos que se cruzam com a passagem do tempo e com as vidas anónimas que esses objetos silenciosos guardam.
Para esta experiência emocional, nostálgica e melancólica, o escritor norte-americano John Koenig cunhou, há alguns anos, o termo vellichor, no âmbito do projeto The Dictionary of Obscure Sorrows. O neologismo sugere uma ligação ao termo ‘velino’, que designa um tipo de pergaminho de pele de vitelo, usado em manuscritos antigos. O sufixo -chor não corresponde a uma raiz etimológica precisa, mas remete para o grego ichor, o fluido divino que corria nas veias dos deuses, funcionando como metáfora do cheiro dos livros antigos enquanto ‘essência’ viva da sua memória e do tempo neles inscrito.
Essa sensibilidade........
