Plano de ação da Estratégia Digital Nacional: Agora Falemos do Cidadão
Numa altura em que estamos a caminho do auge disruptivo da aplicação da Transformação Digital em todo o Mundo, nunca foi tão importante falar sobre quais são os objetivos a atingir, e resultados esperados, da introdução destas políticas públicas no Estado português.
Do ponto de vista político, só faz sentido realizar estes investimentos quando o objetivo é melhorar de forma mensurável a vida dos cidadãos e das empresas, e não apenas para tornar a máquina administrativa mais ágil.
Para tal suceder, importa mudar a mentalidade verticalizada que é normal e natural existir nas organizações centrais (públicas ou privadas), que funciona bem para definir normas e assegurar conformidade, mas falha completamente quando o objetivo é servir o cidadão em toda a sua complexidade.
Do meu ponto de vista, é necessário haver uma abordagem horizontal, complementar à vertical, focada na jornada de um cidadão ou de uma empresa em atividades que a levem a interagir com diferentes serviços do Estado, para atingir um determinado fim.
O Plano de ação da Estratégia Digital Nacional publicada a 29 de dezembro é tecnicamente robusto e coerente, mas precisa de evitar cair na crença de que o progresso tecnológico tornará a vida automaticamente melhor, ou a ‘grande ilusão da modernidade’ que Eça de Queirós criticava na sua obra intemporal A Cidade e as Serras.
Hoje enfrentamos um risco semelhante: se medirmos o sucesso apenas em serviços online, índices de digitalização, e indicadores económicos, teremos a ilusão de modernização.
Mas o sucesso........
