O mundo uniforme ou Stefan Zweig nosso contemporáneo
Publicado pela primeira vez em 1925 no Correio de Berlim e reeditado pelas Éditions Allia em 2021, este breve ensaio de Stefan Zweig, intitulado A Uniformização do Mundo, é um extraordinário momento de leitura. Ensaio sobre aspetos da cultura ocidental, aí se constata aquilo que, hoje, nos parece ser um processo irreversível de formatação do real: os modos de vida, os costumes, os hábitos, as cidades, os países, tudo é idêntico em todo o lado. A cor local perdeu-se em virtude da mecanização da vida, em virtude do triunfo da máquina num processo que, segundo o autor de O Mundo de Ontem, já antes da I Guerra Mundial ganhava dimensão. Zweig refere-se já em 1925, na esteira de Baudelaire, talvez o primeiro a compreender que o processo da decadência do Ocidente é, no fundo, inseparável da sensação-ideia de «modernidade», articulando, assim, para se compreender a época, modernidade e decadência com um terceiro conceito – o de uniformização -, o qual, em 2025, tem uma vasta extensão semântica. Uniformização dos processos de trabalho? Decerto. Uniformização das modas, dos gostos e das opiniões? Sem dúvida. Uniformização do relativismo? Julgo que sim. Entenda-se: relativismo como rasura de qualquer dimensão ética nas relações humanas e, muito em especial, nas relações políticas.
Relativismo-absoluto, ou seja, suspensão de qualquer lógica explicativa, com base moral, desta fase da História que se........





















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