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A transição energética e Cavaleiro de Oliveira

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03.09.2021

A transição energética e Cavaleiro de Oliveira

O amor, a guerra e a transição energética – e tantas outras empreitadas de que nos possamos lembrar – fazem-se em grande parte nas trincheiras, e disso muito depende o seu maior ou menor sucesso.

Francisco Xavier de Oliveira, o Cavaleiro de Oliveira, num texto da Recreação Periódica, escreveu que “no amor, como na guerra, cumprir o dever é pouco”. Palavras muito avisadas, e que deveriam estar na mesa de cabeceira de todos e de cada um, não só pela importância que têm na vida as artes amorosas e as artes bélicas, mas também porque não é só a tais lides que se aplica o ensinamento. Vale para muito mais.

Por exemplo, e indo agora ao ponto, para a transição energética, expressão algo pomposa que se crismou para abarcar tudo quanto respeita à diminuição do uso e à substituição das fontes de energia tradicionais, nomeadamente as mais poluentes, digamos assim.

Ora, está muito bem o objetivo, acho eu, embora não seja um dos que vive sob terror e tremor à la Thunberg, mas percebo a questão, sou-lhe sensível e procuro fazer alguma coisa – não suficiente, é verdade, mas alguma. E também observo, procuro saber, reflito.

E, tal como no amor e na guerra, et cetera, constato que não chega cumprir o dever, ou seja, não chegam bons sentimentos, boas ideias, grandes palavras, programas, roteiros, estratégias e vontades. É preciso, também e muito, cuidar do dia a dia, das coisas práticas, do detalhe.

O amor, a guerra e a transição energética – e tantas outras empreitadas de que nos possamos lembrar – fazem-se em grande parte nas trincheiras, e disso muito depende o seu maior ou menor sucesso.

Ora, aqui fica um desafio, que baseio num episódio de que tenho ciência direta, e não de ouvir dizer, e que creio muito ilustrativo da importância das coisinhas práticas, sob pena de a celebrada transição se ficar apenas pelo cumprimento do dever das ideias e das intenções.

Pois, experimente o caro leitor meter-se num automóvel elétrico, desses que não têm centenas de quilómetros de autonomia (que a transição energética quando nasce é para todos, e não apenas para quem tem um........

© Jornal i


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