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A pirâmide de Maslow explicada aos millennials

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12.11.2021

A pirâmide de Maslow explicada aos millennials

Nem sempre o que está no topo é o essencial, e nunca o topo se aguenta sem a base...

Que me perdoem os jovens do milénio e outros coevos, mas – mesmo descontando o preconceito e as vistas curtas próprias da média idade – por vezes tenho a sensação de que alguns olharam para a representação gráfica da pirâmide de Maslow, num relance, e julgaram que a coisa mais importante (quando não mesmo a única) é o que está no seu topo, ou seja, a realização pessoal. Ora, não é bem assim, e – goste-se ou não e reconheça-se mais virtudes ou mais defeitos na proposta do psicólogo americano Abraham Maslow de meados do século XX – a verdade é que aquela pirâmide (figura ou esquema que ilustra a chamada Teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas ou das Motivações Humanas), não só faz depender cada camada, num sentido de baixo para cima, da camada anterior da pirâmide, como, se hierarquiza, fá-lo da base para o topo, e não ao contrário. Ou seja, nem sempre o que está no topo é o essencial, e nunca o topo se aguenta sem a base. Ora, começando de baixo, temos primeiro a Fisiologia, depois a Segurança, de seguida os Afetos e Relações, no quarto patamar a Estima e finalmente, no topo, a Realização Pessoal.

Maslow não quis dizer – e eu ainda menos – que a realização pessoal não é importantíssima, o que quis dizer foram duas coisas: primeira, que as camadas de baixo são ainda mais importantes do que essa e, segundo e talvez principalmente, que as de cima não se alcançam sem estarem satisfeitas as de baixo. Dito de outro modo, é preciso assegurar as necessidades fisiológicas e a segurança para se poder desfrutar e desenvolver os afetos e as relações, a estima nas suas várias vertentes e implicações depende do que está abaixo na pirâmide, e a realização pessoal, essa luxuosa cereja no topo (neste caso da figura piramidal), é coisa que precisa de que nas camadas da pirâmide em cujas costas se apoia esteja tudo medianamente tratado. E onde é que alguns jovens do milénio às vezes tresleem, se bem vejo? É na falta de noção de que, por um lado, não pode haver realização pessoal sem que o resto, sobretudo a metade de baixo da pirâmide, esteja assegurado, e, por outro lado, de que amiúde certas dimensões da realização pessoal, como a moralidade, a criatividade, a espontaneidade, a ausência de preconceito, e tantas outras vertentes tão encantadoras quanto necessárias (que o são, muito, não é isso que está em causa), podem ser incompatíveis, ou pelo menos parcial e/ou temporariamente........

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