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Liberté, égalité, fraternité et…?

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09.07.2021

Liberté, égalité, fraternité et…?

Não pintou um clima na Constituição francesa. O calculismo dos partidos políticos derrotou o projecto de Macron para um referendo verde.

Pelo hexágono as eleições presidenciais de 2022 não serão monótonas. As de 2017 também não o foram: pela primeira vez durante a V República um presidente não se re-candidatou, o candidato da direita escolhido em eleições primárias sucumbiu aos escândalos dos empregos “em família” e um candidato sem partido (Macron) passou à segunda volta. No plano da normalidade a esquerda dividiu-se, auto-fagocitou-se e o Front National passou à segunda volta.

Tudo leva a crer que em 2022 estes dois elementos de “normalidade” irão manter-se. As recentes eleições regionais atestaram o absoluto desinteresse dos franceses pela coisa pública eleitoral e permitiram o ressuscitar da direita, com o emergir de um candidato (Xavier Bertrand) com reais possibilidades de passar à segunda volta das presidenciais. Macron corre o risco de se ver obrigado a repetir a prudência de François Hollande e não se re-candidatar. Para o evitar tenta agarrar uma qualquer bandeira que o mantenha à tona nas sondagens.

A tentativa mais recente passou pelo ensaio de revisão constitucional para incluir no artigo 1º da Constituição de 1958 um manifesto verde: “La République garantit la préservation de l’environnement et de la diversité biologique et lutte contre le dérèglement climatique”. A proposta foi trabalhada numa iniciativa dos movimentos ecologistas, fortemente apoiada pelo Eliseu, a “Convention citoyenne pour le climat” e parecia uma pluma destinada a ser enfiada no chapéu do candidato presidencial Macron.

De revisões a Constituição de 1958 já conta 24, dando fé da imorredoira crença dos franceses nas possibilidades de modificação da realidade pelo recurso à lei escrita. Também o conteúdo da proposta de revisão, no melhor estilo feel good, parecia garantir uma aprovação pacífica.

Os tribunais também ajudavam, em França, na Holanda e até o Tribunal Constitucional alemão, instando em decisões recentes os respectivos Governos a aprovarem medidas destinadas a mitigar os........

© Jornal i


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