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As ruas, os pedintes e a EMEL

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22.10.2021

As ruas, os pedintes e a EMEL

É muito bonito cortar fitas no WebSummit mas mais bonito ainda seria cuidar de quem cá mora e cá trabalha

Quem como eu percorre todos os dias diversas ruas de Lisboa apercebe-se facilmente dos diversos fenómenos, uns emergentes outros já há muito existentes mas sem resolução à vista e que afetam a capital. São dinâmicas sociais, algumas políticas e estruturais que representam o nosso dia-a-dia. A começar pela EMEL. Já se sabe que o anterior executivo camarário tinha em prossecução um plano para retirar os carros da cidade e uma das suas atividades preferidas era a caça às multas. Através dessa que é talvez a empresa municipal mais odiada de sempre fomos vendo uma perseguição constante aos estacionamentos desde os preços à pressão psicológica de deixar as pessoas horas à espera para desbloquear carros, muitos deles de forma injusta e pouco criteriosa. Mas também esta desresponsabilização em relação aos arrumadores. Muitos a atuar em áreas com parquímetros e que nos convida a todos a um duplo pagamento, à máquina e ao arrumador. Não há fiscalização, o único interesse é a cobrança e uma pessoa além de ter que pagar parquímetro, senão rebocam-nos o carro, ainda se sente coagida a dar qualquer coisa ao arrumador, a maioria das vezes nem é porque eles sejam agressivos mas porque existe sempre aquele receio que façam algo ao carro ou que tenham alguma atitude intimidatória.

Em relação aos pedintes a história é outra mas vai pelo mesmo principio. Eu, por exemplo, em Campo de Ourique vejo-os a crescer como cogumelos. Começa no romeno à saída do viaduto Duarte Pacheco que já deve ter recebido para 20 operações (aos anos que lá está) e prolonga-se por toda a Ferreira Borges e ruas adjacentes. Sobretudo onde há supermercados e cafés. Na porta do Pingo Doce são vários, quase todos jovens, uns fazem acrobacias outros simplesmente sentados com cães por companhia. Mesmo sentado no jardim da Parada já várias vezes me apareceram pessoas a pedir. Uns porque lhes acabou a gasolina outros porque lhes roubaram a carteira e outros ainda porque têm fome. A esses ofereço-me sempre para lhes comprar qualquer coisa para comerem. Só um aceitou, os outros foram-se embora a balbuciar palavras imperceptíveis, imagino que me estivessem a rogar pragas.

Também os assaltantes e os vendedores de droga aumentaram na zona do Bairro Alto e Cais do Sodré. Vendedores de droga que é como quem diz, grupos de pessoas em cada esquina, a maioria deles de etnia cigana, vão pronunciando baixinho o cardápio enquanto perseguem os turistas. Ali pouco ou nada há de droga, só ervas aromáticas e outras imitações para “inglês ver”. É por isso que não se podem prender em flagrante delito, dizem-me da polícia. Mas nem por venda ambulante sem licença? Pergunto eu. É uma péssima imagem que se dá de bairros onde andam os nossos filhos e estrangeiros que alimentam o nosso........

© Jornal i


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