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Ainda os ecos das eleições na Rússia – que mudanças esperar na política externa russa?

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18.10.2021

Ainda os ecos das eleições na Rússia – que mudanças esperar na política externa russa?

Ainda os ecos das eleições na Rússia – que mudanças esperar na política externa russa?

João Henriques 18/10/2021 13:28

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Um mês volvido sobre o acto eleitoral na Rússia para a escolha dos seus representantes na Assembleia Federal[1], ocorridas entre 17 e 19 de Setembro[2], nada parece ter mudado na orientação política do Kremlin; o que não será de estranhar. Com efeito, a despeito das acusações de inúmeras irregularidades, prontamente rejeitadas pela Comissão Eleitoral Central, na prática verificou-se, de acordo com os números oficiais divulgados, apenas uma ligeira queda no número de lugares conquistados pelo partido Rússia Unida, relativamente às eleições de Setembro de 2016.

Deste modo, a configuração do novo quadro parlamentar da Federação continua a assinalar o domínio do partido [Rússia Unida], afecto ao actual Presidente, Vladimir Putin.

ANÁLISE

Com uma participação popular de 51,7 por cento, superior à de 2016 – 47,8 por cento -, o partido Rússia Unida conquistou 324 assentos, menos 19 do que na anterior eleição, num total de 450 em disputa. O segundo agrupamento mais votado foi o Partido Comunista (CPRF) que obteve 18,93 por cento dos votos expressos, o que lhe permitiu aumentar de 42 para 57 o número de assentos. Segundo alguns analistas, é de admitir que a perda, ainda que ligeira, do número de representantes do Rússia Unida se deva ao que é considerado como um declínio do padrão de vida da sociedade russa e ao aumento da inflação, resultando na descida da popularidade do partido governante.

Numa nota à margem, também a comunidade do gigante euroasiático residente em Portugal[3] teve oportunidade de exercer o seu direito de cidadania nas câmaras de voto disponíveis para o efeito nas cidades de Lisboa (Embaixada), Porto, Funchal e Albufeira.

Temos assim que, numa Assembleia já dominada pelo Rússia Unida, estas eleições só vieram confirmar todas as expectativas à volta dos resultados finais, o que abrirá caminho à passagem de qualquer proposta legislativa, ou mesmo alterações constitucionais que o Kremlin venha a apresentar. De momento, no entanto, não se prevê uma mudança substancial no actual quadro legislativo. É de admitir, todavia, uma reorientação, ainda que cirúrgica, da política interna que diminua algum sentimento de mal-estar no plano socioeconómico que tem vindo a atingir a população russa.

Já no plano internacional, os sucessivos erros das administrações ocidentais ao longo dos últimos anos, que têm vindo a apontar a Rússia como uma ameaça militar, mais não fazem do que encorajar uma postura cada vez mais agressiva por parte da liderança russa, que vive num contexto de permanente conflito com um Ocidente que tem evidenciado uma clara incapacidade política de alterar tal sentimento. Reconhecidamente, Moscovo identificou os Estados Unidos e a OTAN como uma ameaça à sua segurança, levando........

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