Falta-nos Timbre

Por curiosidade ou afrontamento a certezas, a palavra “Timbre” é igual em várias línguas. É algo que entendemos e escrevemos da mesma forma em português, espanhol, inglês, francês ou holandês. Se mudarmos apenas uma letra, mantendo a sonoridade intacta quase, poderia acrescentar ainda a compreensão em italiano, romeno e mais um par de países que sentem de igual forma o Timbre. São quase 50 línguas, saibamos.

Na música, o Timbre é a característica sonora que nos permite distinguir sons da mesma frequência que foram produzidos por fontes sonoras distintas.

Numa conversação, o Timbre é o que nos permite diferenciar diversas vozes numa mesma conversa.

Por curiosidade ou afrontamento a certezas, a palavra “Timbre” é igual em várias línguas. É algo que entendemos e escrevemos da mesma forma em português, espanhol, inglês, francês ou holandês. Se mudarmos apenas uma letra, mantendo a sonoridade intacta quase, poderia acrescentar ainda a compreensão em italiano, romeno e mais um par de países que sentem de igual forma o Timbre. São quase 50 línguas, saibamos.

Isto é muito raro, termos uma palavra tão amplamente igual.

Mas não podia ser uma palavra com melhor significado para este exemplo.

Faz falta no mundo atual falarmos e sentirmos coisas de forma igual, apesar da diferença linguística e mesmo que haja diferença fonética.

São poucas as coisas no mundo atual que parecem ser entendidas por todos ou, pelo menos, por muita gente.

Faz falta compreensão.

E cada vez existe menos entendimento até quando falamos a mesma língua, no mesmo país, na mesma região e com o mesmo sotaque local até.

A vida não é só sobre timbres e sonoridade, é mesmo sobre vontades.

Por algum motivo há músicas que ouvimos em repetição numa fase da vida e noutra fase, mal começa essa mesma música, passamos à frente para a seguinte. A vontade e disponibilidade mental de ouvirmos conta muito também.

A sociedade está claramente farta da sonoridade de debate público e quer passar tudo à frente. Como as músicas que enjoamos.

A forma com que nos chegam as palavras, a opinião e a ideia deverá dizer-nos sempre algo.

A sociedade precisa de consensos e de perceber o que se fala. Precisa mesmo, ironicamente, do Timbre que se destaca. Precisa da calma que a sociedade apressada não tem. Precisa do equilíbrio que o presente não aparenta ter.

Se falarmos uma mesma língua ajuda, obviamente, os nossos modos, o timbre e a forma como nos expressamos não pode ser desleixado.

Hoje vivemos de altos decibéis, parece que quem gritar mais tem mais razão. Vivemos em debates que aparentam querer levar a crer que quem levanta mais a voz é mais culto. Que quem fala por cima do outro é melhor.

Lamento, mas não é assim que funciona.

Faz falta falarmos como se precisássemos de um timbre certo. Uma sonoridade que todos quisessem ouvir. Que todos percebessem que é diferente do registo de quezília, berraria, discussão estéril e, muita vez, populismo idiota.

Precisamos de recuperar o debate sério, no timbre certo, que todas as vontades entendam.

Como resolveremos problemas se nem conseguimos falar com calma deles? Como apresentaremos propostas se nem ouvimos os relatos de quem vive os problemas?

Atravessamos uma crise sem precedentes na Habitação.

O custo de vida se não permite ter uma casa, como vamos ter o conforto mental e físico de criar uma família e um lar para ter uma geração futura melhor que a nossa atual?

Andamos a conseguir debater isto? Alguém, sendo honesto, entende o que pedem queixosos e o que apresentam as Leis aprovadas na Assembleia da República? Senhorios e Inquilinos falam a mesma língua? Entendem o idioma do “politiquês”? Duvido.

Ninguém está a perceber esta conversa de mudos na sociedade portuguesa.

Os vencimentos são baixos e temos quem trabalha em demasia, descontando em excesso mês após mês (factos!), para não sabemos bem o quê.

É para o nosso futuro mesmo? Temos hoje a certeza de que o sistema de descontos e a nossa segurança social estará lá para nós daqui a uns trinta anos? Que esta política de descontos nos devolverá lá “num amanhã” o que hoje fazemos?

Ou descontamos brutalidades para algumas inutilidades, também há (desculpem a franqueza), que nenhum fazem?

Isto é justo?

E em que língua falamos disto com quem de direito? Com que timbre andam os portugueses a tentar fazer-se ouvir? Há debate geracional ou são monólogos de casa?

Temos setores fundamentais à sociedade, transversais a qualquer geração, deteriorados e em colapso.

Já nem sabemos se discutimos progressões de carreira, valor e mérito de trabalho, importância na sociedade ou “facturas” do mal que gerações anteriores fizeram por acomodar e não implementar estratégias nenhumas a longo prazo. Sabemos mesmo entender o dialecto do debate televisivo (não é público, não confundam coisas) em torno das manifestações e greves, por direito, de milhares de portugueses e portuguesas?

Não sei mesmo se teremos Educação para debater isto em decibéis naturais ou Saúde para aguentar os colapsos que as políticas públicas não querem saber legendar na nossa vida.

Faz lembrar a expressão: “O último que feche a porta”.

É isto que passa como sonoridade de fundo desta interminável série do “salve-se quem poder”

Nestes temas ou setores da sociedade, e em muitos mais, já não há Timbre que todos ouçam. Que a maioria queira ouvir. Que os envolvidos saibam expressar.

São debates surdos porque há sempre uma parte que não ouve.

São monólogos entre os queixosos e bolas à parede (leia-se “capas de jornais”) por parte das forças políticas, com um populismo acentuado e um decrescente crédito em propostas. Não há. Sejamos justos: Não há propostas debatidas, trabalhadas e sobretudo entendidas.

E essa ausência de diálogo, com propostas e entendimentos no mesmo timbre, prejudica a sociedade.

Em momentos de revolta e injustiça é difícil termos a calma de manter o timbre certo. Sabemos isso. Quem nunca?

Mas há quem tenha a responsabilidade de o manter. De o registar. De chegar à frente e ouvir, para depois falar. De dar o exemplo de primeiro ler o que se pede, e depois escrever as ideias na resposta.

Um diálogo no timbre certo, que todos entendam, em que parte do país for ou para que setor seja.

Será assim tão complicado pararmos, pensarmos, ouvirmos e resolvermos os problemas com diálogo? Quero acreditar que é possível.

Será que a democracia já não consegue discutir ideias e chegar à melhor e mais consensual delas? Quero acreditar que ainda há na causa pública quem saiba sentar-se à mesa e ouvir. Que saiba sair do gabinete e ir humildemente perguntar a quem vive e trabalha por vários setores.

Será que um Governo já não se consegue ouvir os representantes dos vários setores e criar entendimentos que todos entendam? E que esses representantes percebam que há mais vida para além do seu quintal e devem negociar o que é possível?

Quero acreditar que todos conseguimos fazer melhor que este vazio de conclusões.

De que forma venha a ser, pensemos mais vezes no Timbre.

Pelo que representa. Pela universalidade de entendimentos em várias línguas. Pela diferenciação positiva entre os seus pares. Pelo mérito que sobressair. Por dar identidade. Por ser exclusivo, único e facilmente reconhecido.

É o Timbre que falta na discussão pública.

Falta-nos Timbre na vida.

Se encontrarmos o nosso Timbre e reconhecermos o Timbre dos nossos pares, conseguiremos ouvir e falar.

E falando, com calma, mantenho a esperança de que poderemos criar pontes de entendimento e resolver problemas para criar um futuro com melhor “melodia” na nossa qualidade de vida.

Na música, o Timbre é a característica sonora que nos permite distinguir sons da mesma frequência que foram produzidos por fontes sonoras distintas.

Numa conversação, o Timbre é o que nos permite diferenciar diversas vozes numa mesma conversa.

Por curiosidade ou afrontamento a certezas, a palavra “Timbre” é igual em várias línguas. É algo que entendemos e escrevemos da mesma forma em português, espanhol, inglês, francês ou holandês. Se mudarmos apenas uma letra, mantendo a sonoridade intacta quase, poderia acrescentar ainda a compreensão em italiano, romeno e mais um par de países que sentem de igual forma o Timbre. São quase 50 línguas, saibamos.

Isto é muito raro, termos uma palavra tão amplamente igual.

Mas não podia ser uma palavra com melhor significado para este exemplo.

Faz falta no mundo atual falarmos e sentirmos coisas de forma igual, apesar da diferença linguística e mesmo que haja diferença fonética.

São poucas as coisas no mundo atual que parecem ser entendidas por todos ou, pelo menos, por muita gente.

Faz falta compreensão.

E cada vez existe menos entendimento até quando falamos a mesma língua, no mesmo país, na mesma região e com o mesmo sotaque local até.

A vida não é só sobre timbres e sonoridade, é mesmo sobre vontades.

Por algum motivo há músicas que ouvimos em repetição numa fase da vida e noutra fase, mal começa essa mesma música, passamos à frente para a seguinte. A vontade e disponibilidade mental de ouvirmos conta muito também.

A sociedade está claramente farta da sonoridade de debate público e quer passar tudo à frente. Como as músicas que enjoamos.

A forma com que nos chegam as palavras, a opinião e a ideia deverá dizer-nos sempre algo.

A sociedade precisa de consensos e de perceber o que se fala. Precisa mesmo, ironicamente, do Timbre que se destaca. Precisa da calma que a sociedade apressada não tem. Precisa do equilíbrio que o presente não aparenta ter.

Se falarmos uma mesma língua ajuda, obviamente, os nossos modos, o timbre e a forma como nos expressamos não pode ser desleixado.

Hoje vivemos de altos decibéis, parece que quem gritar mais tem mais razão. Vivemos em debates que aparentam querer levar a crer que quem levanta mais a voz é mais culto. Que quem fala por cima do outro é melhor.

Lamento, mas não é assim que funciona.

Faz falta falarmos como se precisássemos de um timbre certo. Uma sonoridade que todos quisessem ouvir. Que todos percebessem que é diferente do registo de quezília, berraria, discussão estéril e, muita vez, populismo idiota.

Precisamos de recuperar o debate sério, no timbre certo, que todas as vontades entendam.

Como resolveremos problemas se nem conseguimos falar com calma deles? Como apresentaremos propostas se nem ouvimos os relatos de quem vive os problemas?

Atravessamos uma crise sem precedentes na Habitação.

O custo de vida se não permite ter uma casa, como vamos ter o conforto mental e físico de criar uma família e um lar para ter uma geração futura melhor que a nossa atual?

Andamos a conseguir debater isto? Alguém, sendo honesto, entende o que pedem queixosos e o que apresentam as Leis aprovadas na Assembleia da República? Senhorios e Inquilinos falam a mesma língua? Entendem o idioma do “politiquês”? Duvido.

Ninguém está a perceber esta conversa de mudos na sociedade portuguesa.

Os vencimentos são baixos e temos quem trabalha em demasia, descontando em excesso mês após mês (factos!), para não sabemos bem o quê.

É para o nosso futuro mesmo? Temos hoje a certeza de que o sistema de descontos e a nossa segurança social estará lá para nós daqui a uns trinta anos? Que esta política de descontos nos devolverá lá “num amanhã” o que hoje fazemos?

Ou descontamos brutalidades para algumas inutilidades, também há (desculpem a franqueza), que nenhum fazem?

Isto é justo?

E em que língua falamos disto com quem de direito? Com que timbre andam os portugueses a tentar fazer-se ouvir? Há debate geracional ou são monólogos de casa?

Temos setores fundamentais à sociedade, transversais a qualquer geração, deteriorados e em colapso.

Já nem sabemos se discutimos progressões de carreira, valor e mérito de trabalho, importância na sociedade ou “facturas” do mal que gerações anteriores fizeram por acomodar e não implementar estratégias nenhumas a longo prazo. Sabemos mesmo entender o dialecto do debate televisivo (não é público, não confundam coisas) em torno das manifestações e greves, por direito, de milhares de portugueses e portuguesas?

Não sei mesmo se teremos Educação para debater isto em decibéis naturais ou Saúde para aguentar os colapsos que as políticas públicas não querem saber legendar na nossa vida.

Faz lembrar a expressão: “O último que feche a porta”.

É isto que passa como sonoridade de fundo desta interminável série do “salve-se quem poder”

Nestes temas ou setores da sociedade, e em muitos mais, já não há Timbre que todos ouçam. Que a maioria queira ouvir. Que os envolvidos saibam expressar.

São debates surdos porque há sempre uma parte que não ouve.

São monólogos entre os queixosos e bolas à parede (leia-se “capas de jornais”) por parte das forças políticas, com um populismo acentuado e um decrescente crédito em propostas. Não há. Sejamos justos: Não há propostas debatidas, trabalhadas e sobretudo entendidas.

E essa ausência de diálogo, com propostas e entendimentos no mesmo timbre, prejudica a sociedade.

Em momentos de revolta e injustiça é difícil termos a calma de manter o timbre certo. Sabemos isso. Quem nunca?

Mas há quem tenha a responsabilidade de o manter. De o registar. De chegar à frente e ouvir, para depois falar. De dar o exemplo de primeiro ler o que se pede, e depois escrever as ideias na resposta.

Um diálogo no timbre certo, que todos entendam, em que parte do país for ou para que setor seja.

Será assim tão complicado pararmos, pensarmos, ouvirmos e resolvermos os problemas com diálogo? Quero acreditar que é possível.

Será que a democracia já não consegue discutir ideias e chegar à melhor e mais consensual delas? Quero acreditar que ainda há na causa pública quem saiba sentar-se à mesa e ouvir. Que saiba sair do gabinete e ir humildemente perguntar a quem vive e trabalha por vários setores.

Será que um Governo já não se consegue ouvir os representantes dos vários setores e criar entendimentos que todos entendam? E que esses representantes percebam que há mais vida para além do seu quintal e devem negociar o que é possível?

Quero acreditar que todos conseguimos fazer melhor que este vazio de conclusões.

De que forma venha a ser, pensemos mais vezes no Timbre.

Pelo que representa. Pela universalidade de entendimentos em várias línguas. Pela diferenciação positiva entre os seus pares. Pelo mérito que sobressair. Por dar identidade. Por ser exclusivo, único e facilmente reconhecido.

É o Timbre que falta na discussão pública.

Falta-nos Timbre na vida.

Se encontrarmos o nosso Timbre e reconhecermos o Timbre dos nossos pares, conseguiremos ouvir e falar.

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Falta-nos Timbre

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05.10.2023

Falta-nos Timbre

Por curiosidade ou afrontamento a certezas, a palavra “Timbre” é igual em várias línguas. É algo que entendemos e escrevemos da mesma forma em português, espanhol, inglês, francês ou holandês. Se mudarmos apenas uma letra, mantendo a sonoridade intacta quase, poderia acrescentar ainda a compreensão em italiano, romeno e mais um par de países que sentem de igual forma o Timbre. São quase 50 línguas, saibamos.

Na música, o Timbre é a característica sonora que nos permite distinguir sons da mesma frequência que foram produzidos por fontes sonoras distintas.

Numa conversação, o Timbre é o que nos permite diferenciar diversas vozes numa mesma conversa.

Por curiosidade ou afrontamento a certezas, a palavra “Timbre” é igual em várias línguas. É algo que entendemos e escrevemos da mesma forma em português, espanhol, inglês, francês ou holandês. Se mudarmos apenas uma letra, mantendo a sonoridade intacta quase, poderia acrescentar ainda a compreensão em italiano, romeno e mais um par de países que sentem de igual forma o Timbre. São quase 50 línguas, saibamos.

Isto é muito raro, termos uma palavra tão amplamente igual.

Mas não podia ser uma palavra com melhor significado para este exemplo.

Faz falta no mundo atual falarmos e sentirmos coisas de forma igual, apesar da diferença linguística e mesmo que haja diferença fonética.

São poucas as coisas no mundo atual que parecem ser entendidas por todos ou, pelo menos, por muita gente.

Faz falta compreensão.

E cada vez existe menos entendimento até quando falamos a mesma língua, no mesmo país, na mesma região e com o mesmo sotaque local até.

A vida não é só sobre timbres e sonoridade, é mesmo sobre vontades.

Por algum motivo há músicas que ouvimos em repetição numa fase da vida e noutra fase, mal começa essa mesma música, passamos à frente para a seguinte. A vontade e disponibilidade mental de ouvirmos conta muito também.

A sociedade está claramente farta da sonoridade de debate público e quer passar tudo à frente. Como as músicas que enjoamos.

A forma com que nos chegam as palavras, a opinião e a ideia deverá dizer-nos sempre algo.

A sociedade precisa de consensos e de perceber o que se fala. Precisa mesmo, ironicamente, do Timbre que se destaca. Precisa da calma que a sociedade apressada não tem. Precisa do equilíbrio que o presente não aparenta ter.

Se falarmos uma mesma língua ajuda, obviamente, os nossos modos, o timbre e a forma como nos expressamos não pode ser desleixado.

Hoje vivemos de altos decibéis, parece que quem gritar mais tem mais razão. Vivemos em debates que aparentam querer levar a crer que quem levanta mais a voz é mais culto. Que quem fala por cima do outro é melhor.

Lamento, mas não é assim que funciona.

Faz falta falarmos como se precisássemos de um timbre certo. Uma sonoridade que todos quisessem ouvir. Que todos percebessem que é diferente do registo de quezília, berraria, discussão estéril e, muita vez, populismo idiota.

Precisamos de recuperar o debate sério, no timbre certo, que todas as vontades entendam.

Como resolveremos problemas se nem conseguimos falar com calma deles? Como apresentaremos propostas se nem ouvimos os relatos de quem vive os problemas?

Atravessamos uma crise sem precedentes na Habitação.

O custo de vida se não permite ter uma casa, como vamos ter o conforto mental e físico de criar uma família e um lar para ter uma geração futura melhor que a nossa atual?

Andamos a conseguir debater isto? Alguém, sendo honesto, entende o que pedem queixosos e o que apresentam as Leis aprovadas na Assembleia da República? Senhorios e Inquilinos falam a mesma língua? Entendem o idioma do “politiquês”? Duvido.

Ninguém está a perceber esta conversa de mudos na sociedade portuguesa.

Os vencimentos são baixos e temos quem trabalha em demasia, descontando em excesso mês após mês (factos!), para não sabemos bem o quê.

É para o nosso futuro mesmo? Temos hoje a certeza de que o sistema de descontos e a nossa segurança social estará lá para nós daqui a uns trinta anos? Que esta política de descontos nos devolverá lá “num amanhã” o que hoje fazemos?

Ou descontamos brutalidades para algumas inutilidades, também há (desculpem a franqueza), que nenhum fazem?

Isto é justo?

E em que língua falamos disto com quem de direito? Com que timbre andam os........

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