Eu, algarvio, após Agosto vos confesso

E mais um ano que chegamos ao final de agosto completamente cansados. Calma. Não estamos cansados de turistas, sejam eles portugueses ou estrangeiros. Estamos cansados de conversa de treta e negativa sempre em torno do Algarve e do mês de agosto.

Mais um mês de agosto que terminou.

E mais um ano que chegamos ao final de agosto completamente cansados. Calma. Não estamos cansados de turistas, sejam eles portugueses ou estrangeiros. Estamos cansados de conversa de treta e negativa sempre em torno do Algarve e do mês de agosto.

Dizem que o Algarve está caro.

Dizem que o Algarve está vazio.

Dizem que no Algarve ninguém quer saber dos portugueses e, claro está, no apogeu do drama dizem ainda que para o ano ninguém regressará ao Algarve.

É saturante ouvir tanto disparate.

Disso sim, qualquer algarvio está farto.

Querem fazer do Algarve um destino único que não é. Mas o Algarve nunca o quis ser. Nem os algarvios querem que o seja. Quem está cá todo o ano quer que o Algarve seja aquilo que é. Uma região heterogénea. Uma região territorialmente rica com litoral, com interior, com serra e com barrocal, com oceano atlântico, mas do rio arade e com a ria formosa.

Uma região gastronomicamente distinta pelo seu trabalhar do peixe, que não é só sardinha, mas igualmente com boa carne e com charcutaria de topo. Uma região que exporta destilados como o medronho ou a melosa de excelência e já tem boas colheitas de vinho regional e ainda podemos ser bairristas e vender a “nossa” casta Negra Mole. A região com citrinos de excelência e que todos reconhecem mérito na Laranja do Algarve.

Naturalmente, uma região com restaurantes com comida típica a meia dúzia de euros e restaurantes de excelência para quem gosta dessa qualidade superior.

Queremos isto. Queremos a região humilde que dá para todos os algarvios de nascença e os que cá escolhem residir. Queremos este Algarve, especial, que é a região do país que mais gente recebe durante o ano excluindo a capital Lisboa. Recebemos mal? Balelas. Recebemos sempre bem desde há décadas. Sejam portugueses do Algarve, do Alentejo ou das ilhas. Sejam ingleses, que nos adoram. Sejam alemães que cada vez há em maior número a cá vir. Franceses, holandeses e, claro, descendentes de países africanos de língua oficial portuguesa e gentes da américa do sul. Nunca fechámos portas e somos a região com maior percentagem de expatriados do país.

São factos. Ninguém acolhe mais que nós. Se fossemos horríveis, não ficavam cá e regressavam cá tantos.

Se somos os melhores hospitaleiros? É discutível e nunca haverá uma conclusão. Mas deixemos de ser idiotas. Eu garanto que há gente incrível e de uma hospitalidade inigualável no nosso Algarve como há má gente também cá. Mas essa simpatia ou antipatia existe neste distrito de Faro como é semelhante no distrito de Beja, Évora, Portalegre ou qualquer outra. Existe em Portugal, Espanha ou França. Há bons e menos bons em todo o planeta. O Algarve não é exceção. Nem quer ser.

O Algarve sabe sim que é uma região única porque dá para todas as carteiras, todas as famílias e todas as nacionalidades.

Nos 16 concelhos que temos, seguramente temos zonas completamente cheias e outras quase vazias. Da ponta do barlavento (Sagres) à ponta do sotavento (Vila Real de Santo António) temos de certeza restaurantes que praticam preços acima da média e temos outros que têm preços dos mais em conta de todo o nosso país. Há praias sem acessos fáceis e outras em que podem estacionar sem pagar a 5 metros do areal. Há concessões que têm animação de luxo, em que alugar um espaço não é barato, e há concessões de praia em que uma semana fica em conta para quem quer sombra na areia perto de um espaço onde possa beber um café ou uma água. Sim, há cafés a 3 euros e eu há uns dias bebi em Portimão a 65 cêntimos. Também já bebi café a 3 euros em Cascais e na mesma localidade a menos de 1 euro. É assim em todo o país, o Algarve é igual.

No Algarve há locais para famílias com menos posses, mas que queiram (podem e devem!) usufruir da zona mais turística do país e há restaurantes com as melhores garrafeiras de vinho do país inteiro onde encontramos marisco fresco a qualquer hora e pagaremos bem por essa qualidade. Ainda bem que temos qualidade, é bom e sempre será.

Cá, quem tem muito dinheiro pode aproveitar o turismo de excelência que temos nas nossas Marinas com os seus barcos, clubes de praia e espaços de animação diurna e noturna. E quem tem menos posses financeiras tem igualmente localidades com boa sardinha assada, boa comida, bons bares e vistas incríveis que custam zero euros e ainda trazem uma praia fantástica atrelada nesta costa litoral enorme.

Para os portugueses a questão do custo não é um problema regional do Algarve. É um problema atual e nacional de baixos salários que o país concede, seja no setor público ou privado.

As férias estão “caras” no Algarve, no Alentejo ou nas Ilhas. Estão “caras” porque estamos com pouco poder de compra e porque temos uma carga fiscal elevada. É difícil neste país ser-se empregado e também é difícil ser-se patrão.

Logo, é caro passar-se uns dias de férias cá no Algarve mas também será caro em todo o país para o português comum.

Porém, para muitos estrangeiros que nos visitam, sabemos que o Algarve é baratíssimo. É baratíssimo para a carteira e os vencimentos deles, que todos sabemos que em média são superiores aos nossos. A culpa não é do Algarve, lamento dizer aos ‘calimeros’ que todos os anos chegam a Agosto e “rebentam” a escala de críticas aos preços do Algarve.

No mês de agosto é normal descorarmos mais o interior da região e procurar-se o litoral. Fiquemos a saber que somos campeões em zona costeira no país, temos 50 km de extensão costeira a oeste e 150 quilómetros de costa a sul. Nesse espaço, vamos ser realistas. Dizem que estamos vazios?

Então, saibam, com factos: Em 2019 (pré-pandemia) o Algarve registou durante todo o ano 71 milhões de dormidas. Em 2022, pós-pandemia, tivemos 69 milhões de dormidas nos 12 meses do ano. Em 2023, contabilizado apenas até junho, já tínhamos 34 milhões de dormidas o que se assemelha a um 2023 semelhante a 2022 nesses números.

Vazios? São dos melhores números de dormidas que já se registou no país.

A nível global, as dormidas no turismo cresceram 18,8% no primeiro semestre deste ano, superando pela primeira vez os níveis de 2019 segundo o INE. O “Algarve vazio” de facto desceu... desceu apenas 0,3% face a 2022, em período homólogo, o que representa mesmo assim um grande número sendo o líder de dormidas a nível nacional e, na mesma, com valores perto dos seus máximos históricos.

Vazios? Só alguns críticos, no seu cérebro, é que devem estar um pouco vazios. Não é o Algarve que dá orgulho a todo o país e é procurado por todo o mundo.

O Algarve é incrível. É maravilhoso mesmo. Todos os 16 concelhos têm encantos naturais que vale a pena visitar. Temos uma gastronomia incrível e reconhecida por todos. Temos praias incríveis, que mesmo com água mais fria (máxima registada de 22ºC este ano) que no Mar Mediterrâneo (máximos de temperatura de 29º C) ou Mar Adriático (máximos de temperatura 26º C), são incríveis e superamos bem não serem “as mais quentes” do mundo.

São as mais quentes do país. Isso não há dúvidas.

Porém, não somos um paraíso no país. Nem queremos ser. Temos consciência das nossas limitações. Da excessiva dependência do turismo. Da distância da centralidade e decisão política governamental assente em Lisboa.

Temos problemas estruturais idênticos, com características regionais claro, a todo o país. Nas infraestruturas, nos acessos aos serviços públicos, ao nível dos salários, o grave problema da habitação que no Algarve disputa ainda com as casas para 2ª habitação e as lacunas conhecidas na educação ou saúde por falha de decisão política ao longo de décadas.

Mas também aí, o Algarve não é pior que ninguém. É igual a Portugal. E sendo assim, repito o mesmo que disse sobre hospitalidade, temos gente incrível e gente menos boa.

Para mim, Algarvio de nascença e coração, é uma região que é mágica. Seja agosto, janeiro ou novembro.

Todo o país é bonito, mas o meu Algarve é muito bonito mesmo.

Em todo o lado, não só a minha Cidade de Portimão.

Não disputamos ser melhores que nenhuma região do país, cada uma tem os seus atributos e qualidades ímpares, mas o Algarve é sempre muito bom.

Em agosto, também é muito bom. Dá para todos e sempre vai dar. E gostamos de receber gente de todo o lado.

Que saibamos confessar que para falar bem de uma região, como o Algarve, não temos de falar mal de outras regiões e entrar em comparações estéreis.

E que nesta região a sul, que brilha 12 meses do ano, merecemos que falem bem de nós porque sempre fomos uma porta de entrada para milhões de pessoas e para que o mundo falasse bem do acolhimento e hospitalidade de Portugal.

Obrigado a todos os que cá vieram no Verão, que voltem sempre. O Algarve será sempre de todos e a nossa beleza merece ser partilhada com todos os portugueses e com o Mundo inteiro.

Obrigado agosto, deixas sempre saudade.

Mais um mês de agosto que terminou.

E mais um ano que chegamos ao final de agosto completamente cansados. Calma. Não estamos cansados de turistas, sejam eles portugueses ou estrangeiros. Estamos cansados de conversa de treta e negativa sempre em torno do Algarve e do mês de agosto.

Dizem que o Algarve está caro.

Dizem que o Algarve está vazio.

Dizem que no Algarve ninguém quer saber dos portugueses e, claro está, no apogeu do drama dizem ainda que para o ano ninguém regressará ao Algarve.

É saturante ouvir tanto disparate.

Disso sim, qualquer algarvio está farto.

Querem fazer do Algarve um destino único que não é. Mas o Algarve nunca o quis ser. Nem os algarvios querem que o seja. Quem está cá todo o ano quer que o Algarve seja aquilo que é. Uma região heterogénea. Uma região territorialmente rica com litoral, com interior, com serra e com barrocal, com oceano atlântico, mas do rio arade e com a ria formosa.

Uma região gastronomicamente distinta pelo seu trabalhar do peixe, que não é só sardinha, mas igualmente com boa carne e com charcutaria de topo. Uma região que exporta destilados como o medronho ou a melosa de excelência e já tem boas colheitas de vinho regional e ainda podemos ser bairristas e vender a “nossa” casta Negra Mole. A região com citrinos de excelência e que todos reconhecem mérito na Laranja do Algarve.

Naturalmente, uma região com restaurantes com comida típica a meia dúzia de euros e restaurantes de excelência para quem gosta dessa qualidade superior.

Queremos isto. Queremos a região humilde que dá para todos os algarvios de nascença e os que cá escolhem residir. Queremos este Algarve, especial, que é a região do país que mais gente recebe durante o ano excluindo a capital Lisboa. Recebemos mal? Balelas. Recebemos sempre bem desde há décadas. Sejam portugueses do Algarve, do Alentejo ou das ilhas. Sejam ingleses, que nos adoram. Sejam alemães que cada vez há em maior número a cá vir. Franceses, holandeses e, claro, descendentes de países africanos de língua oficial portuguesa e gentes da américa do sul. Nunca fechámos portas e somos a região com maior percentagem de expatriados do país.

São factos. Ninguém acolhe mais que nós. Se fossemos horríveis, não ficavam cá e regressavam cá tantos.

Se somos os melhores hospitaleiros? É discutível e nunca haverá uma conclusão. Mas deixemos de ser idiotas. Eu garanto que há gente incrível e de uma hospitalidade inigualável no nosso Algarve como há má gente também cá. Mas essa simpatia ou antipatia existe neste distrito de Faro como é semelhante no distrito de Beja, Évora, Portalegre ou qualquer outra. Existe em Portugal, Espanha ou França. Há bons e menos bons em todo o planeta. O Algarve não é exceção. Nem quer ser.

O Algarve sabe sim que é uma região única porque dá para todas as carteiras, todas as famílias e todas as nacionalidades.

Nos 16 concelhos que temos, seguramente temos zonas completamente cheias e outras quase vazias. Da ponta do barlavento (Sagres) à ponta do sotavento (Vila Real de Santo António) temos de certeza restaurantes que praticam preços acima da média e temos outros que têm preços dos mais em conta de todo o nosso país. Há praias sem acessos fáceis e outras em que podem estacionar sem pagar a 5 metros do areal. Há concessões que têm animação de luxo, em que alugar um espaço não é barato, e há concessões de praia em que uma semana fica em conta para quem quer sombra na areia perto de um espaço onde possa beber um café ou uma água. Sim, há cafés a 3 euros e eu há uns dias bebi em Portimão a 65 cêntimos. Também já bebi café a 3 euros em Cascais e na mesma localidade a menos de 1 euro. É assim em todo o país, o Algarve é igual.

No Algarve há locais para famílias com menos posses, mas que queiram (podem e devem!) usufruir da zona mais turística do país e há restaurantes com as melhores garrafeiras de vinho do país inteiro onde encontramos marisco fresco a qualquer hora e pagaremos bem por essa qualidade. Ainda bem que temos qualidade, é bom e sempre será.

Cá, quem tem muito dinheiro pode aproveitar o turismo de excelência que temos nas nossas Marinas com os seus barcos, clubes de praia e espaços de animação diurna e noturna. E quem tem menos posses financeiras tem igualmente localidades com boa sardinha assada, boa comida, bons bares e vistas incríveis que custam zero euros e ainda trazem uma praia fantástica atrelada nesta costa litoral enorme.

Para os portugueses a questão do custo não é um problema regional do Algarve. É um problema atual e nacional de baixos salários que o país concede, seja no setor público ou privado.

As férias estão “caras” no Algarve, no Alentejo ou nas Ilhas. Estão “caras” porque estamos com pouco poder de compra e porque temos uma carga fiscal elevada. É difícil neste país ser-se empregado e também é difícil ser-se patrão.

Logo, é caro passar-se uns dias de férias cá no Algarve mas também será caro em todo o país para o português comum.

Porém, para muitos estrangeiros que nos visitam, sabemos que o Algarve é baratíssimo. É baratíssimo para a carteira e os vencimentos deles, que todos sabemos que em média são superiores aos nossos. A culpa não é do Algarve, lamento dizer aos ‘calimeros’ que todos os anos chegam a Agosto e “rebentam” a escala de críticas aos preços do Algarve.

No mês de agosto é normal descorarmos mais o interior da região e procurar-se o litoral. Fiquemos a saber que somos campeões em zona costeira no país, temos 50 km de extensão costeira a oeste e 150 quilómetros de costa a sul. Nesse espaço, vamos ser realistas. Dizem que estamos vazios?

Então, saibam, com factos: Em 2019 (pré-pandemia) o Algarve registou durante todo o ano 71 milhões de dormidas. Em 2022, pós-pandemia, tivemos 69 milhões de dormidas nos 12 meses do ano. Em 2023, contabilizado apenas até junho, já tínhamos 34 milhões de dormidas o que se assemelha a um 2023 semelhante a 2022 nesses números.

Vazios? São dos melhores números de dormidas que já se registou no país.

A nível global, as dormidas no turismo cresceram 18,8% no primeiro semestre deste ano, superando pela primeira vez os níveis de 2019 segundo o INE. O “Algarve vazio” de facto desceu... desceu apenas 0,3% face a 2022, em período homólogo, o que representa mesmo assim um grande número sendo o líder de dormidas a nível nacional e, na mesma, com valores perto dos seus máximos históricos.

Vazios? Só alguns críticos, no seu cérebro, é que devem estar um pouco vazios. Não é o Algarve que dá orgulho a todo o país e é procurado por todo o mundo.

O Algarve é incrível. É maravilhoso mesmo. Todos os 16 concelhos têm encantos naturais que vale a pena visitar. Temos uma gastronomia incrível e reconhecida por todos. Temos praias incríveis, que mesmo com água mais fria (máxima registada de 22ºC este ano) que no Mar Mediterrâneo (máximos de temperatura de 29º C) ou Mar Adriático (máximos de temperatura 26º C), são incríveis e superamos bem não serem “as mais quentes” do mundo.

São as mais quentes do país. Isso não há dúvidas.

Porém, não somos um paraíso no país. Nem queremos ser. Temos consciência das nossas limitações. Da excessiva dependência do turismo. Da distância da centralidade e decisão política governamental assente em Lisboa.

Temos problemas estruturais idênticos, com características regionais claro, a todo o país. Nas infraestruturas, nos acessos aos serviços públicos, ao nível dos salários, o grave problema da habitação que no Algarve disputa ainda com as casas para 2ª habitação e as lacunas conhecidas na educação ou saúde por falha de decisão política ao longo de décadas.

Mas também aí, o Algarve não é pior que ninguém. É igual a Portugal. E sendo assim, repito o mesmo que disse sobre hospitalidade, temos gente incrível e gente menos boa.

Para mim, Algarvio de nascença e coração, é uma região que é mágica. Seja agosto, janeiro ou novembro.

Todo o país é bonito, mas o meu Algarve é muito bonito mesmo.

Em todo o lado, não só a minha Cidade de Portimão.

Não disputamos ser melhores que nenhuma região do país, cada uma tem os seus atributos e qualidades ímpares, mas o Algarve é sempre muito bom.

Em agosto, também é muito bom. Dá para todos e sempre vai dar. E gostamos de receber gente de todo o lado.

Que saibamos confessar que para falar bem de uma região, como o Algarve, não temos de falar mal de outras regiões e entrar em comparações estéreis.

E que nesta região a sul, que brilha 12 meses do ano, merecemos que falem bem de nós porque sempre fomos uma porta de entrada para milhões de pessoas e para que o mundo falasse bem do acolhimento e hospitalidade de Portugal.

Obrigado a todos os que cá vieram no Verão, que voltem sempre. O Algarve será sempre de todos e a nossa beleza merece ser partilhada com todos os portugueses e com o Mundo inteiro.

Obrigado agosto, deixas sempre saudade.

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Eu, algarvio, após Agosto vos confesso

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01.09.2023

Eu, algarvio, após Agosto vos confesso

E mais um ano que chegamos ao final de agosto completamente cansados. Calma. Não estamos cansados de turistas, sejam eles portugueses ou estrangeiros. Estamos cansados de conversa de treta e negativa sempre em torno do Algarve e do mês de agosto.

Mais um mês de agosto que terminou.

E mais um ano que chegamos ao final de agosto completamente cansados. Calma. Não estamos cansados de turistas, sejam eles portugueses ou estrangeiros. Estamos cansados de conversa de treta e negativa sempre em torno do Algarve e do mês de agosto.

Dizem que o Algarve está caro.

Dizem que o Algarve está vazio.

Dizem que no Algarve ninguém quer saber dos portugueses e, claro está, no apogeu do drama dizem ainda que para o ano ninguém regressará ao Algarve.

É saturante ouvir tanto disparate.

Disso sim, qualquer algarvio está farto.

Querem fazer do Algarve um destino único que não é. Mas o Algarve nunca o quis ser. Nem os algarvios querem que o seja. Quem está cá todo o ano quer que o Algarve seja aquilo que é. Uma região heterogénea. Uma região territorialmente rica com litoral, com interior, com serra e com barrocal, com oceano atlântico, mas do rio arade e com a ria formosa.

Uma região gastronomicamente distinta pelo seu trabalhar do peixe, que não é só sardinha, mas igualmente com boa carne e com charcutaria de topo. Uma região que exporta destilados como o medronho ou a melosa de excelência e já tem boas colheitas de vinho regional e ainda podemos ser bairristas e vender a “nossa” casta Negra Mole. A região com citrinos de excelência e que todos reconhecem mérito na Laranja do Algarve.

Naturalmente, uma região com restaurantes com comida típica a meia dúzia de euros e restaurantes de excelência para quem gosta dessa qualidade superior.

Queremos isto. Queremos a região humilde que dá para todos os algarvios de nascença e os que cá escolhem residir. Queremos este Algarve, especial, que é a região do país que mais gente recebe durante o ano excluindo a capital Lisboa. Recebemos mal? Balelas. Recebemos sempre bem desde há décadas. Sejam portugueses do Algarve, do Alentejo ou das ilhas. Sejam ingleses, que nos adoram. Sejam alemães que cada vez há em maior número a cá vir. Franceses, holandeses e, claro, descendentes de países africanos de língua oficial portuguesa e gentes da américa do sul. Nunca fechámos portas e somos a região com maior percentagem de expatriados do país.

São factos. Ninguém acolhe mais que nós. Se fossemos horríveis, não ficavam cá e regressavam cá tantos.

Se somos os melhores hospitaleiros? É discutível e nunca haverá uma conclusão. Mas deixemos de ser idiotas. Eu garanto que há gente incrível e de uma hospitalidade inigualável no nosso Algarve como há má gente também cá. Mas essa simpatia ou antipatia existe neste distrito de Faro como é semelhante no distrito de Beja, Évora, Portalegre ou qualquer outra. Existe em Portugal, Espanha ou França. Há bons e menos bons em todo o planeta. O Algarve não é exceção. Nem quer ser.

O Algarve sabe sim que é uma região única porque dá para todas as carteiras, todas as famílias e todas as nacionalidades.

Nos 16 concelhos que temos, seguramente temos zonas completamente cheias e outras quase vazias. Da ponta do barlavento (Sagres) à ponta do sotavento (Vila Real de Santo António) temos de certeza restaurantes que praticam preços acima da média e temos outros que têm preços dos mais em conta de todo o nosso país. Há praias sem acessos fáceis e outras em que podem estacionar sem pagar a 5 metros do areal. Há concessões que têm animação de luxo, em que alugar um espaço não é barato, e há concessões de praia em que uma semana fica em conta para quem quer sombra na areia perto de um espaço onde possa beber um café ou uma água. Sim, há cafés a 3 euros e eu há uns dias bebi em Portimão a 65 cêntimos. Também já bebi café a 3 euros em Cascais e na mesma localidade a menos de 1 euro. É assim em todo o país, o Algarve é igual.

No Algarve há locais para famílias com menos posses, mas que queiram (podem e devem!) usufruir da zona mais turística do país e há restaurantes com as melhores garrafeiras de vinho do país inteiro onde encontramos marisco fresco a qualquer hora e pagaremos bem por essa qualidade. Ainda bem que temos qualidade, é bom e sempre será.

Cá, quem tem muito dinheiro pode aproveitar o turismo de excelência que temos nas nossas Marinas com os seus barcos, clubes de praia e espaços de animação diurna e noturna. E quem tem menos posses financeiras tem igualmente localidades com boa sardinha assada, boa comida, bons bares e vistas incríveis que custam zero euros e ainda trazem uma praia fantástica atrelada nesta costa litoral enorme.

Para os portugueses a questão do custo não é um problema regional do Algarve. É um problema atual e nacional de baixos salários que o país concede, seja no setor público ou privado.

As férias estão “caras” no Algarve, no Alentejo ou nas Ilhas. Estão “caras” porque estamos com pouco poder de compra e porque temos uma carga fiscal elevada. É difícil neste país ser-se empregado e também é difícil ser-se patrão.

Logo, é caro passar-se uns dias de férias cá no Algarve mas também........

© Jornal i


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