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As grandes questões de 26 de setembro

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20.09.2021

As grandes questões de 26 de setembro

Era preciso uma visão estratégica que respondesse aos problemas estruturais, invertesse as tendências negativas da demografia, das desigualdades e da desertificação. Mas a 26 de setembro não será nada disso que estará em causa, porque o que conta é o tribalismo político e partidário.

Entramos na reta final das eleições autárquicas, momento de conclusão de um mandato fortemente condicionado pelos impactos da pandemia nas dinâmicas das comunidades e dos territórios, em que muitos autarcas se constituíram como pilares fundamentais de apoio ao Serviço Nacional de Saúde na prevenção, no combate e na vacinação.

Os municípios e as freguesias são palcos de expressão da política de proximidade, com excessos como em tudo que implica ação humana, mas com uma relevância variável muito importante para as pessoas que vivem, estudam e trabalham nos territórios. É um exercício cívico e político que concretizou muitos dos pilares importantes do desenvolvimento real após a consagração da democracia, nem sempre considerado pelos poderes centrais e pelas pessoas, agora aditivadas pelas oportunidades de má língua das redes sociais, ampliação maior da conversa da tasca ou do café, consoante o pedigree e a latitude geográfica.

E, no entanto, apesar da relevância para a vida concreta, a abstenção é gigante, nas eleições de 2017, 45,03% dos cidadãos inscritos não participaram na escolha dos autarcas municipais e de freguesia. Será que a pulverização do espectro político, com candidaturas de partidos, movimentos e afins, conseguirá inverter este panorama de divórcio em relação a quem governa na proximidade? A quem se bate à porta com maior facilidade?

Além das sobrevivências, o debate tem estado centrado no PRR, o Plano de Resiliência e Recuperação, que a maioria dos portugueses não sabe o que é, logo, não sabe do que estão a falar. Não é atestado de ignorância, é noção do grau de conhecimento das pessoas em relação à atualidade e à utilização de acrónimos. É certo que será a maior oportunidade de financiamento que temos no horizonte, que integra soluções para algumas respostas concretas que as pessoas e os territórios precisam, que foi debatido com todos numa lógica de agregar sugestões parciais e corresponder a desafios globais como as transições energéticas e digitais, mas o foco é na capacidade de execução, com o tradicional enleio burocrático que arranjamos em Portugal, alfobre das tradicionais quintinhas, incompetências e desfoque do bem comum. A questão era mesmo ter uma visão estratégica para o país que respondesse aos problemas estruturais, invertesse as tendências negativas em boa parte do território, desde logo a demográfica, a das desigualdades e a da desertificação, e mitigasse os impactos da pandemia, alguns ainda por se fazerem sentir com a pujança que terão, gerando condições para um futuro diferente. Definitivamente a 26 de setembro, não será nada disso que estará em causa, porque o que conta é o tribalismo político e partidário, da sobrevivência política à emergência dos populismos que medram, em mais um passo para a pulverização das governações, capturadas por negociações de interesses particulares e derivas proibicionistas.

O PS mantém o poder que tem, depois de ter imposto opções de candidaturas em territórios que salvaguardam a manutenção de algumas reservas naturais de poder do PCP?

Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos sobreviverão ao efetivo poucochinho dos resultados que a prestação antes e depois da campanha antecipam?

O PCP e o BE serão fustigados pela realidade de terem um pé dentro e um pé fora da solução governativa quando os eleitores podem escolher o original em vez das cópias?

E os populistas, terão a expressão evolutiva que o deslaçar do Estado e da sociedade evidenciam?

O voto autárquico tem muitas variantes na sua formatação, desde logo, o do perfil dos candidatos, não permitindo que um partido com referências nacionais transfira automaticamente para o plano local a sua relevância e implantação, mas a degradação do ambiente democrático pode trazer novidades, preocupantes para os democratas. Porque não são expressão de uma sã diversidade,........

© Jornal i


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