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Amanhã é Dia da República e nos outros é dia de quê?

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04.10.2021

Amanhã é Dia da República e nos outros é dia de quê?

Há um evidente desgaste no ambiente geral da República e vê-se muito pouca vontade na sua correção.

A República precisava de quem cuidasse dela, dos seus valores e de um funcionamento que não estivesse eivado de desvios e injustiças, com relevância marginal nos quotidianos dos decisores políticos e parca relevância no nível de escrutínio e de participação dos cidadãos na defesa do interesse geral. Uns e outros estão mais comprometidos com a sobrevivência e com uma certa noção materialista e pragmática de ver a coisa pública em função dos interesses particulares ou de grupo.

A República dá sinais inequívocos de doença, gerada por ação e por inação, seja no funcionamento da justiça, no modo de se fazer política ou no baixo nível de participação cívica, do voto à conversa nas redes sociais. Nem para eleger os eleitos que estão mais próximos, é quebrada a letargia generalizada.

Amanhã é dia da República, da sua implantação, com um amplo conjunto de alterações estruturais positivas e alguns desvios contraditórios com a tolerância, o pluralismo e a ética que devem estar sempre presentes. Mas a grande questão não se coloca, como nunca se colocou, nos dias festivos, em que brotam belas proclamações, mas sim nos outros dias, nos dias restantes.

E o diabo são os dias restantes e a efémera presunção de potência do exercício político, a contar com um Povo tão manso quanto possível e com uma imprensa amestrada pelas dificuldades financeiras de sustentação da função, vital em qualquer democracia.

Há um evidente desgaste no ambiente geral da República e vê-se muito pouca vontade na sua correção.

O Povo foi a votos nas eleições para as Autarquias Locais. O PS manteve a maioria das Câmaras e das Freguesias, mas seria coisa de o Ministro da Propaganda de Saddam Hussein escudarem-se atrás desses factos, depois de perderem a liderança dos municípios em Lisboa, em Coimbra, no Funchal e peso político nas Regiões Autónomas, entre outros.

Lisboa representava só, para além de ser a Capital do País, a principal fonte de poder interno no PS desde 2007, espaço de colocação e formação de quadros, de estabelecimentos de canais com a comunicação social, de influência das dinâmicas partidárias, económicas e sociais e de geração de laços de influência com outras partes do território nacional. A derrota em Lisboa é um tiro no porta-aviões do poder no PS.

Lisboa confirma que, num contexto de desgaste e de irritação na pele dos eleitores, a forma como se exercita o poder, só conta como pode ser decisivo. E, lá está, a República explicaria que nenhum cidadão eleito para o desempenho de funções é titular de um arbítrio de fazer o que lhe vai na real gana, sem respeito pelos outros, com displicência e arrogância de ter toda a razão do mundo. Muito menos se entrar em derivas de radicalização, sem explicação e sem eficácia nas dinâmicas presentes e futuras.

Lisboa foi vítima desse fundamentalismo e de um certo desleixo no exercício do poder político, quase por abuso de posição dominante, também alimentada pelo PSD quando lhe interessou, a partir do governo, com a Frente Ribeirinha e as compensações pelos terrenos do Aeroporto de Lisboa.

Mas, o país também é vítima das derivas governativas de manutenção do poder, ora com a desvalorização dos casos, ora com a cedência a radicalismos dos pequenos partidos, com visões intolerantes e desfasadas do país real, a troco da viabilização de orçamentos de Estado.

O Bloco de Esquerda teve uma estrondosa derrota nas eleições autárquicas, o PAN teve um resultado ao nível de um caniche e o CHEGA conseguiu ampliar a sua implantação territorial, boa parte por conta dos casos que a República não resolve e das derivas de intolerância do exercício governativo e parlamentar. Boa parte dessa implantação concretizou-se em locais onde há tradições de caça e de tauromaquia.

O PCP, uma vez mais através da CDU, prosseguiu a sua rota de perda, ficando cada vez mais com insuficiente implantação autárquica para a rodagem dos seus funcionários políticos, a formação de novos quadros e a sustentação da máquina profissional de protesto, mesmo quando são parte da solução de governo.

A Direita alterna entre um PSD à espera que o poder lhe caia nos braços de podre e um CDS à espera que o poder não se........

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