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Allô, allô, D. Rosa. Ganhou o mais perigoso para o PS e o melhor para o país?

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29.11.2021

Allô, allô, D. Rosa. Ganhou o mais perigoso para o PS e o melhor para o país?

A grande questão está em saber se o PS vai procurar esse equilíbrio ou se vai continuar a alimentar internamente uma narrativa e uma mutação de posicionamento em sentido contrário.

Por efeito da pandemia, do cansaço dos eleitores ou da inconsistência dos governos para responder à diversidade de realidades que caracterizam o país, algo está a mudar.

Os portugueses são dados a pouca participação cívica. No essencial, os que votam fazem-no para que alguém trate da governação do país, da região, do concelho ou da freguesia, sem os chatear ao longo do mandato, e os que não votam revelam indiferença pela gestão comum, preferindo passar o tempo entre eleições a queixarem-se das opções políticas, das injustiças e do que os media aportam, nem sempre com rigor, equidade e transparência.

Ao longo dos últimos anos consagrou-se uma certa linha política de imposição das vontades, das opções, dos humores ou das visões de circunstância, assentes na incapacidade de olhar para o outro e construir compromissos. Essa deriva levou a que uns prescindissem de outros em determinados momentos, mas a eles recorressem em situação de desespero, de emergência ou de oportunismo. Essa realidade presente na austeridade além da Troika, nas opções políticas à margem da concertação social, na lógica proibicionista e de imposição de perspetivas parciais de intolerância perante a diferença e de promoção da divergência inconsequente, conduziu-nos à crise política que vivemos. E sempre com os media a desempenharem o papel de catalisadores de virtualidades, ora por proximidade aos poderes e interesses, ora por estado de necessidade de promoção do que vende na banca, nas audiências ou no online.

A realidade aparenta estar a mudar. A imposição já não está a ditar toda a lei. Há mercado para o compromisso. Os media já nem conseguem eleger um Presidente do PSD quanto mais um Presidente da República. A realidade tornou-se difusa, aconselhando o compromisso e nos equilíbrios.

É por isso que, ao invés do que foi sustentado por quem formalmente manda no PS durante os últimos anos, o esforço agora é o de manter todas as opções de diálogo em aberto para o pós-eleições e de recentrar o posicionamento do partido.

É por isso que Rui Rio, que tem um valor facial superior ao valor real em matéria de seriedade, ganhou as eleições internas a um candidato promovido pelos media e se posiciona em simultâneo como o problema e a solução para António Costa. Para o quadro mental e político do país, Rui Rio é o mais perigoso para o PS e o melhor para o país. É um homem de compromisso, embora internamente seja de imposição, também com as suas ideias feitas e aplicadas sem olhar a meios.

É perigoso porque surge como um moderado, responsável e com sentido do interesse nacional. Não assusta ninguém, sob o ponto de vista de quem contribui para as vitórias eleitorais, ainda que não hesite em convergir com o CHEGA como já fez nos Açores e fará no país se necessário para aceder ao poder, ganhando.

É o melhor porque num cenário previsível de pulverização do quadro parlamentar está disponível para o compromisso com o PS, como fez em várias ocasiões nos últimos anos, com mais contestação no PSD do que entre os arautos da esquerda à esquerda no PS. Quando foi para salvar a governação, a manutenção no poder por via de um votinho do PSD no parlamento, nunca houve pruridos ideológicos ou amor à deriva da geringonça.

Rui Rio, que não era a opção de liderança de Marcelo Rebelo de Sousa, militante do PSD e Presidente da República – convém lembrar aos socialistas que nele votaram –, reforça o posicionamento para ser a solução da crise política gerada pelos parceiros da geringonça, ganhe ou perca a 30 de janeiro, salvando o titular de Belém de um imbróglio em que foi parte ativa.

E sim, os cenários eleitorais estão em aberto, pelo cansaço eleitoral que fervilha, pelos fatores que não são controlados pelo Governo e pela dimensão moderada do valor facial de Rui Rio, apesar de afrontar alguns dos poderes em queda: a justiça, os media e o centralismo democrático dos poderes que, além de Lisboa, vislumbram só paisagem no resto do país.

A predisposição para o compromisso pode ser o fator decisivo das próximas eleições, daí que........

© Jornal i


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