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A tragédia da rua do PAN e afins

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22.11.2021

A tragédia da rua do PAN e afins

O Bem Prega Frei Tomás de Inês Sousa Real é uma ninharia no quadro dos turvos negócios gerais da República, mas é um substancial abalo de credibilidade na arrogância de quem quer impor aos outros uma moral, um gosto e uma dinâmica.

As circunstâncias políticas e a pretensa modernidade civilizacional, assentes numa altiva superioridade moral maniqueísta, proibicionista e intolerante perante a diversidade de ideias, gostos e tradições, consagrou uma deriva de ataque à realidade concreta de parte do país, em especial, no que respeita a dinâmicas do Mundo Rural. Os Animais e Natureza assentaram arraiais nas vivências urbanas e nos corredores do poder para proibir e perseguir parte do país, sem indicar alternativa de vida, como se fosse possível reescrever as marcas da identidade das comunidades.

O discurso de intolerância e de ódio em relação a parte do país que pensa e age de forma diferente contou com miserável anuência parlamentar de quem pensa mais na sobrevivência política, na manutenção do poder e nas circunstâncias de ocasião do que na diversidade que sempre pontuou o país, apesar dos tiques centralistas, urbanos e de compromisso com o litoral da densidade demográfica.

A tragédia abateu-se sobre a rua da superioridade moral do PAN. Por esquinas e vielas, na cidade e no campo, em terra e no mar, a líder do PAN verberou um conjunto de narrativas de arremesso contra as dinâmicas do Mundo Rural e da agricultura portuguesa em modo de contradição com a sua esfera privada de compromisso com as estufas, os plásticos para os frutos vermelhos e os truques para camuflar a propriedade de empresas no setor que fustigou durante os últimos anos. O Bem Prega Frei Tomás de Inês Sousa Real é uma ninharia no quadro dos turvos negócios gerais da República, mas é um substancial abalo de credibilidade na arrogância de quem quer impor aos outros uma moral, um gosto e uma dinâmica.

Combatia as estufas em Odemira, mas tinha túneis de estufas no Barreiro na sua empresa, que já foi da sogra e agora será do marido.

Combatia o uso do plástico na agricultura intensiva, mas usa plástico nas embalagens de framboesas.

Uma tragédia de incoerência, depois de umas eleições autárquicas que foram uma desflorestação de votos e na véspera de eleições antecipadas em que o voto útil pode gerar impactos negativos. A tragédia da Rua do PAN, que em poucos anos de vida tem sido fértil em supremacia moral de gosto e em dissidências de protagonistas, tem tudo para ser o resultado de ajustes de conta internos, por parte de quem ainda é do partido ou foi por ele eleito. Na Quinta dos Animais aplicam-se as regras dos mortais. Parece fofinho, mas prevalece a lei da selva e está em curso a decapitação do Rei Leão no poder, induzida por alguém da própria quinta. No reino animal, o espécime aprenderia alguma coisa com o que lhe está a acontecer, erradicava a superioridade moral e aprendia a conviver com tolerância perante os que pensam e agem de forma diversa, mas não deve ser o caso comprometidos que estão com a velha política de dizer uma coisa e fazer o seu contrário. São mais do mesmo. Para alguns foram precisos anos e uma evidência para chegarem à conclusão, para outros nem tanto. A intolerância com a diferença não serve o país. Olé!

Há a tragédia das estufas túneis do PAN e depois há o Chega, outro alfobre de espetáculo e de contradições, ora navegando a realidade, ora contribuindo para os fins políticos de quem dizem combater. Outra tragédia, outras latitudes.

O PSD de Rui Rio embeiçou-se pela realidade eleitoral do Chega. O PSD e o Presidente da República, oriundo e cada vez mais convergente com a casa mãe, anuíram com uma solução do governo dos Açores para a qual convergiram a doutrina de 2015 de António Costa, quem ganha não governa, e o suporte de uma miscelânea parlamentar com PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega. A solução de governo regional, apesar dos diversos anticiclones de instabilidade, lá foi andando, assente no cimento do regresso ao poder da direita nos Açores e na distribuição de recursos financeiros num território em que isso conta com particular relevância para a vida das pessoas, as dinâmicas regionais e para a configuração das intenções de voto. O resultado viu-se nas eleições........

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