Sindicalismo com sentido de futuro

Join a union / Fight for better pay / You better join a union, brother / Organise today

“Rich Men Earning North of a Million”, Billy Bragg

“A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”, defendia uma resolução sobre os sindicatos do Conselho Central da Aliança Internacional dos Trabalhadores (AIT) redigida por Karl Marx, em 1866. A AIT, também conhecida como Primeira Internacional, foi fundada em 1864 e congregou, em Londres, todas as organizações operárias até então conhecidas.  O objetivo era coordenar a luta do movimento operário e defender os direitos dos trabalhadores, designadamente a redução da jornada de trabalho, o direito à greve e a coletivização dos meios de produção.

A Inglaterra industrial, cujo quotidiano de indigência e indignidade está brilhantemente retratado no romance Oliver Twist, de Charles Dickens, foi a pátria do sindicalismo. A partir da 2.ª década do século XIX nasceram várias associações operárias de ajuda mútua e defesa dos trabalhadores, que seriam legalizadas em 1824 e se propagaram depois por toda a Europa. As chamadas trade unions afirmaram-se como modelo de referência do movimento sindical europeu e só já perto do final do século XIX é que surgem os sindicatos por ofícios, bem como as centrais sindicais.

Os sindicatos emergem, portanto, no contexto de injustiça, desigualdade e precariedade laboral da Revolução Industrial. O desenvolvimento da indústria nos alvores do século XIX fez arribar nas cidades inglesas migrantes rurais, daqui resultando uma nova classe de trabalhadores assalariados sem meios de produção, sem rudimentos, sem proteção e sem poder reivindicativo. Sujeitavam-se a longas jornadas de trabalho, por parcos salários e em ambientes laborais degradantes, perigosos e insalubres.

Os sindicatos foram a resposta dos trabalhadores........

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