Juros a subir |
Entramos na terceira semana do conflito no Médio Oriente e o petróleo (Brent) voltou a subir e a aproximar-se dos 110 dólares por barril. Como tantas vezes acontece, o impacto vai muito além da energia.
O petróleo não é apenas uma matéria-prima. É um dos pilares da economia global e está presente nos transportes, na produção industrial, na agricultura, na logística e até na geração de energia. Ou seja, é um custo de produção. Quando o seu preço sobe de forma consistente, como estamos a ver nestas semanas, não é apenas o custo do combustível que aumenta, mas o de quase todos os bens e serviços.
O prolongamento do conflito vai contribuir para aumentar a probabilidade de um efeito em cadeia, que afetará todos os agentes económicos.
As empresas enfrentam custos mais elevados, quer no transporte quer na energia ou na produção, e, para protegerem as suas margens, acabam por repercutir esses aumentos nos preços finais. O consumidor, por sua vez, perde poder de compra, pois acaba por gastar mais em bens essenciais, o que o torna menos propenso ao consumo. O resultado é uma maior pressão sobre o crescimento económico.
Ora, o problema da inflação é que raramente baixa e os períodos subsequentes a uma subida dos preços das matérias-primas são seguidos, regra geral, de abrandamentos na subida de preços, ou seja, desinflação e não deflação – essa sim consiste numa redução de preços.
Perante este cenário, o Banco Central Europeu enfrenta já o teste de ter de subir os juros, previsto para julho, num cenário de estagnação económica, ou seja, estagflação. Sendo a sua missão controlar a inflação, os juros são a ferramenta mais rápida de implementar, mas também a mais onerosa para a economia, pois as famílias irão pagar mais pelos créditos. Até nos EUA a previsão de descida de juros, deixou de estar em cima da mesa.
A Europa volta a ser a mais penalizada pela subida de preços do Brent muito superior à do WTI (crude americano), do gás e, finalmente, dos juros.
Neste contexto, o maior erro dos investidores é reagir ao ruído de curto prazo. Mais importante do que prever o preço do petróleo é compreender os seus efeitos e analisar o que aconteceu nos pós 2022, quando as economias também enfrentaram um choque semelhante. Diversificação, disciplina e foco no longo prazo continuam a ser os pilares de uma boa decisão de investimento.