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Eurodigital: a oportunidade que a banca não deve ignorar

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24.07.2026

O rumo encontra-se definido e o Eurosistema tem a ambição de uma emissão do Euro Digital em 2029, antecedida de uma fase piloto já a partir de 2027. Para a Banca Portuguesa em particular, considero que o tempo de acompanhar o tema à distância chegou ao fim.

Durante algum tempo, o Euro Digital foi catalogado como algo negativo para a Banca em geral, pela perceção da pressão nas comissões, redução de depósitos e o peso de mais uma regulação de carácter obrigatório. É uma reação compreensível, mas, na minha leitura, um pouco redutora. Temos vindo a defender uma perspetiva distinta, que posiciona o Euro Digital como uma oportunidade para os Bancos usarem esta regulação para inovar na forma como disponibilizam aos seus clientes alguns dos seus produtos e serviços.

Adicionalmente, convém olhar para o que está de facto em causa. Na base desta regulação está a dependência da Europa de infraestruturas de pagamentos críticas que não controla. Segundo o Banco Central Europeu, os esquemas internacionais de cartões representavam cerca de 61% dos pagamentos com cartão na área do euro em 2022, evidenciando a dependência europeia de infraestruturas de pagamentos não controladas por entidades europeias. Nesta perspetiva, o Euro Digital assume-se como um instrumento de soberania.

Na perspetiva do cliente bancário, que ainda utiliza maioritariamente a aplicação do seu banco para consultar saldos e movimentos, o surgimento do Euro Digital pode alterar em parte esse padrão, ao trazer serviços de valor acrescentado que dão aos Bancos espaço para se diferenciarem, seja em cross-selling, em........

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