menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O preço do desleixo

11 0
27.03.2026

Há janelas geopolíticas que não se abrem por si: quando ficam escancaradas, basta um momento de distracção para que alguém entre. Cabo Delgado está nessa categoria.

O que ali se decide já não é apenas a segurança de uma província moçambicana. É uma peça da arquitectura energética europeia. A decisão final de investimento da ExxonMobil no Rovuma está prevista para 2026. O projecto da TotalEnergies aponta para o início da próxima década. O gás de Moçambique deixou de ser um tema regional para entrar, por mérito próprio, na equação estratégica de Bruxelas. A sua relevância ganha peso num contexto de forte perturbação no Golfo Pérsico e de risco acrescido para corredores energéticos estratégicos.

Acontece que a segurança dessa equação está assente num apoio instável. E quando a segurança é instável, o capital começa a olhar para outro lado.

Em Cabo Delgado, a moldura operacional que hoje permite a continuidade dos megaprojectos de GNL depende, em larga medida, do dispositivo ruandês. São mais de dois mil militares e polícias concentrados em Palma e Mocímboa da Praia. Esse dispositivo está a semanas de ficar sem financiamento europeu garantido. Os dois pacotes de 20 milhões de euros cada, aprovados ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, expiram em maio, sem que Bruxelas tenha anunciado renovação. Kigali já deixou claro que não aceita uma presença indefinidamente subsidiada por expectativa. A Comissão Europeia respondeu........

© Jornal Económico