O petróleo e a ilusão da pressão
O levantamento parcial das sanções americanas ao petróleo russo, anunciado esta semana pela administração Trump, foi apresentado como medida de emergência face à turbulência dos mercados energéticos provocada pelo conflito no Ormuz. As primeiras análises a quente, amplamente difundidas, tendem a insuflar o alcance da decisão sob forte influência da interpretação russa, que procura obviamente maximizar o seu impacto político. Esta leitura merece ser reposicionada num enquadramento mais correcto: a licença, limitada a carregamentos já efectuados antes de 12 de Março e com validade até 11 de Abril, tem um alcance jurídico estreito, pelo menos na sua letra. O seu significado estratégico, porém, poderá revelar-se mais amplo do que o calendário sugere, sobretudo pela forma como é lido em Moscovo, em Pequim e nas capitais europeias.
O benefício imediato para Moscovo parece relativamente contido. As receitas russas do sector energético dependem sobretudo de impostos cobrados na extracção, não na margem comercial de cada carregamento, pelo que o alívio sobre uns quantos cargueiros não altera, por si só, a base fiscal. O que a licença introduz é um elemento de ambiguidade em torno da chamada “frota sombra”, centenas de........
