O mar que ainda não defendemos
Portugal não é apenas uma nação marítima por geografia ou memória histórica. É-o por responsabilidade estratégica. A sua Zona Económica Exclusiva aproxima-se dos 1,7 milhões de quilómetros quadrados, e a eventual extensão da plataforma continental poderá acrescentar uma área submarina de escala continental. Os Açores e a Madeira projectam o país no Atlântico com uma centralidade que nenhum outro Estado europeu possui. E, no entanto, continuamos a tratar o mar sobretudo como espaço económico, raramente como domínio de soberania efectiva. Não se trata de um silêncio: trata-se de um erro estratégico persistente.
A competição entre grandes potências já chegou ao fundo do mar. A sabotagem dos gasodutos Nord Stream, em 2022, foi apenas a manifestação mais visível de um padrão mais amplo. Nos últimos anos, registaram-se incidentes recorrentes envolvendo cabos submarinos no Báltico e no Mar do Norte, frequentemente associados à presença de navios de dupla função. Este não é um fenómeno isolado nem exclusivamente europeu. Trata-se da emergência do domínio subaquático como espaço contestado, onde convergem operações de sabotagem, mapeamento de infra-estruturas críticas e pré-posicionamento de capacidades. Os cabos submarinos são hoje a espinha dorsal das........
